De Dr. Hollywood para Dr. Robin Hood

Estadão

01 de setembro de 2009 | 14h39

Robert Rey
Robert Rey usa umas roupas esquisitas, mas parece ser um cara gente fina

Um cara conhecido como ‘Dr. Hollywood’ só pode ser uma celebridade. O cirurgião plástico Robert Rey, estrela de um reality show da TV norte-americana que está sendo exibido aqui pela RedeTV!, é um paulista nascido em uma família pobre na Lapa, em São Paulo, que hoje fala português com sotaque ‘amerrricannno’ (o nome verdadeiro é Roberto Rey, claro). Aos 11, ele foi morar nos Estados Unidos após ser levado para lá por um grupo de missionários – e acabou se dando bem: além de milionário, ele é formado pela Harvard University e tem uma das clínicas mais procuradas de Beverly Hills, o bairro mais VIP da Califórnia.

Tudo bem, ele usa umas roupas meio estranhas e tem um jeito meio afetado. Mas o que acho legal é que ele já se dispôs a participar de campanhas sociais no Brasil, como o ‘Médico do Bem e dos Carentes’. Seria uma espécie de ‘Dr. Robin Hood’, como ele mesmo gosta de se definir. Outra coisa legal é que ele já se colocou a serviço do Hospital de Câncer de Barretos para ajudar na reconstrução estética de pacientes carentes e contribuir em cirurgias infantis. Também já prometeu que vai atuar com ONGs que trabalham com meninos de rua, até porque ele já sofreu isso na pele: hoje milionário, o cara chegou a cometer pequenos furtos quando era criança. Ou seja: é um exemplo legal.

Abaixo, entrevista com Robert Rey enviada pela minha amiga Karina Klinger.

O que as mulheres esperam hoje da cirurgia plástica?
Se você ganhou cinco quilinhos, não deve correr para a cirurgia plástica imediatamente. Por incrível que pareça, sou contra a cirurgia plástica como primeira escolha. Hoje em dia a mulher é muito profissional, supera o homem, mas a sua auto-estima está baixa demais. Rejeito 90% das pacientes que vêm a minha clínica, porque geralmente elas estão bem e nem precisam de cirurgia. Quantas vezes entra pela porta uma mulher de 1,80 metro e 50 kg implorando por uma lipoaspiração? Elas podem pagar cinco mil dólares pela consulta, mas não precisam de nada. São perfeitas e deprimidas.

Mas isso não vai contra o seu negócio, que é fazer cirurgias?
Não quero mais fazer cirurgias como fiz a vida toda. Acho que hoje a tecnologia é o futuro para pequenos retoques, como a maioria das mulheres deseja. Há luzes poderosas, técnicas para enxugar, encolher, reafirmar até 15 cm de pele de braço, como eu já vi, sem precisar usar o bisturi. Tenho as minhas técnicas e quero aplicá-las, por exemplo, para reconstruir rostos de crianças e incluí-las na sociedade.

Você está envolvido em projetos sociais?
Sou um Robin Hood da cirurgia plástica. Desenvolvo uma série de projetos pelo mundo que me dão muito prazer. É como se tirasse dos ricos para dar aos pobres, mas no bom sentido. Aqui quero trabalhar com o Hospital de Câncer de Barretos. Soube que vão construir um hospital oncológico infantil com base no St. Judes Hospital, de Los Angeles, que conheço muito bem. É referência no mundo para tratar crianças e eu vou colaborar fazendo a minha parte.

Você trabalha com beleza e parece ser um homem vaidoso. Você se considera um metrossexual?
Esse visual é meu uniforme de Hollywood. Mas sou Hollywood apenas até a última peça de roupa. Há mulheres que vêm do mundo inteiro para a minha clínica e, por respeito a elas, acredito que preciso estar sempre bem. O mínimo que posso fazer para mostrar respeito é manter um visual legal.

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