Darwin e Bento 16 em São Paulo

Estadão

09 Maio 2007 | 12h45

Mais uma para os paulistas: já visitou a exposição do Darwin no Masp? Então vá. A mostra não é algo do nível ‘Museu de História Natural’ de Nova York (que foi quem a trouxe para o Brasil), mas traz curiosidades legais para os visitantes. É legal principalmente para as crianças, que podem aprender com uma linguagem, digamos, mais visual/prática da teoria da evolução e seleção natural. Tem bichos (alguns empalhados, outros vivos), mapas animados da viagem da expedição do navio HMS Beagle, vídeos e até uma reprodução do quarto de estudos de Darwin. Sem ele, infelizmente.

(Curiosidade inútil: o Darwin fez sua viagem mais importante aos 22 anos… então por que a gente sempre vê a imagem dele com aquela barba branca de velhinho? É a mesma sensação de ver o Dom Pedro II: dá a impressão que ele sempre foi mais velho que o Dom Pedro I).

Para os adultos, a expo ‘Darwin – Descubra o Homem e a Teoria Revolucionária que Mudou o Mundo’ presta-se a uma análise um pouco mais complexa. Chamo a atenção, por exemplo, para o fato de que Charles Darwin ‘visita’ São Paulo na mesma semana em que o papa Bento 16 – e aí podemos fazer várias analogias. Como teólogo, Bento ‘Ratzinger’ 16 tem mostrado uma visão interessante da evolução ao defender que as teorias (evolução/criação divina) podem coexistir. Bento 16 tem, inclusive, se mostrado contido nas críticas aos evolucionistas, o que já não se pode dizer dos ignorantes criacionistas do Mid-West que tomam cada vez mais o poder na América atual de George W. Bush. Os ‘rednecks’ estão no governo, e até a eleição de Barack Obama ou Hillary (ou McCain ou Giuliani) é assim que a educação no império caminhará: os criacionistas tentando cada vez mais trocar a ciência pela fé cega e estúpida.

Aproveito para um outro comentário ainda mais pessoal: sou apaixonado por Darwin. Rezo para ele todas as noites. Acho que ele fez pela humanidade mais do que qualquer profeta de qualquer religião na história: mostrou a insignificância do homem diante da natureza. É isso aí, somos animais, sim. Inteligentes, mas animais. Grandes primatas, para ser mais exato. A discussão existencial que parte desta premissa é com você.

Para saber mais, veja o vídeo feito pelos repórteres Alexandre Barbosa e Paulo Toledo Piza.