Crescendo e aprendendo

Estadão

14 de dezembro de 2009 | 11h45

Moranguinho
Eu queria fazer uma festinha com o tema ‘Heavy Metal Kids’ para minha filha, mas ela exigiu a Moranguinho

No dia 7 de novembro, os roqueiros de São Paulo puderam optar entre dois festivais: Iggy Pop e Sonic Youth em um palco, Faith No More e Deftones em outro. Nesse mesmo sábado, também assisti a dois shows, embora um pouquinho diferentes: a peça Charlie & Lola de manhã, o musical da Pucca à tarde. E com direito a batatas fritas com milk-shake de morango entre um e outro.

Se você acha que fiquei chateado por ter trocado dois megashows de rock por dois espetáculos infantis, você não me conhece. (Prazer, Felipe Machado). Na verdade, há poucos programas no mundo melhores do que passar o dia com minha filha.

Hoje ela faz três anos. E não passa um dia sem que eu acorde cada vez mais apaixonado. É um sentimento diferente daquele que tomava meu coração na época do seu nascimento. Acho que o amor de um pai se transforma e evolui organicamente, da mesma maneira que o pequeno corpo dela cresce e seu pequeno cérebro se torna mais complexo.

Todo dia aprendo alguma coisa nova sobre minha filha – e tenho a impressão de que ela também. Adoro quando ela vem me mostrar suas recém-adquiridas habilidades (‘papai, olha o que eu sei fazer’); chego a chorar de emoção quando a vejo pronunciar com certa insegurança uma palavrinha nova. Ela já tem uma voz, a voz dela. E é o máximo quando essa voz começa a me contar uma história, baseada nas ilustrações de algum livro. Nem sempre a trama entre os personagens tem muita lógica, mas, para mim, é melhor que qualquer texto de Shakespeare.

Dizem que eu a ‘mimo’ muito. E eu lá tenho alternativa diante de tanta fofura? O corpinho dela vai parar de crescer em algum momento de sua ainda distante adolescência, mas meu amor não vai parar de crescer nunca.

Três anos. Uau. Se você me permite um clichê (‘mais um, Felipe?’), o tempo passa muito rápido. Mas os clichês são clichês exatamente porque são verdadeiros, não? Ontem ela estava na maternidade; hoje já exige festa da Moranguinho e pizza com azeitonas nas noites de domingo. O que será no ano que vem? Não, não quero saber, deixa eu aproveitar minha bebê mais um pouco. Se existe concurso de ‘pai mais coruja do mundo’, considere este texto a minha inscrição.

Minha filha está se tornando uma pessoa, e assistir a isso é mágico. Quem ela será quando crescer e se tornar uma garota, uma mulher? Não sei. Esse é o mistério da vida. Mas há um elemento da sua personalidade que começa a aparecer agora e que será uma característica só dela, incrivelmente única. A vida é assim. Mais do que minha filha, ela será… ela.

Parabéns, Bebel. Papai ama você mais do que tudo.

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