Começos e recomeços

Estadão

29 de novembro de 2010 | 09h00

Começo, meio e fim. Todo relacionamento tem começo ( isso é meio óbvio, não?). Alguns deles têm meio, o que acontece após um começo bem sucedido. Quanto ao fim, depende de muita coisa para se tornar um happy end: há amores que se eternizam, há amores que são infinitos apenas enquanto duram.

Começo e recomeço são etapas da vida interligadas não apenas pela quantidade de letras semelhantes, mas pela profunda necessidade que uma delas provoca na outra. Não, isso não é só jogo de palavras. É que, embora nem todo começo seja um recomeço, todo recomeço… é um começo.

Recomeçar implica em ‘não começar do zero’, pelo menos é o que significa semanticamente o prefixo ‘re’. Recomeçar é dar uma nova chance ao que, de certa forma, falhou; é insistir que ali há algo inevitavelmente belo e necessário para se chegar à felicidade. Estou basicamente falando de relacionamentos, se ainda não deu para perceber.

Nem todo recomeço, no entanto, nasce de um fim. Eu sei, soa paradoxal, mas acredito que não é apenas possível, mas essencial promover recomeços constantes em qualquer relação. Melhorar alguma característica pessoal é um recomeço; apostar na sua intuição é outro. Há muitos recomeços possíveis, todos eles baseados numa única palavra mágica: vontade.

Vontade de recomeçar é o que motiva o recomeço, e não uma pressão abstrata qualquer que vem sei lá de onde. Querer nem sempre é poder, mas querer pelo menos indica que você deseja ir atrás dessa coisa que está faltando. E aí cada um empenha o que acha necessário para atingir o seu objetivo e vencer a batalha.

Desculpe se esse papo está ‘cabeça’ demais. É que nem sempre as coisas são tão claras, tão preto no branco. Quando se está em dúvida em relação a alguém, dizem que o ideal é colocar na balança os defeitos e qualidades dessa pessoa e ver se vale a pena seguir em frente. O problema é que esses dados nem sempre são tão claros quanto a gente precisa. E aí nos vemos obrigados a apelar para outras formas de solução.

Começar um relacionamento é a coisa mais fácil do mundo. Especialmente quando há atração física e intelectual, vontade de ficar juntos. Com o tempo, surgem situações boas (e ruins) que modificam a relação. E aí vemos se o que uniu o casal é forte o suficiente para resistir às novas situações. Se não for, há duas opções: o relacionamento segue o enredo ‘começo, meio e fim’ ou o casal investe num ‘começo, meio e… recomeço’. Depende da vontade de cada um.

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