Coçando as costas do Peter Gabriel

Estadão

09 Fevereiro 2010 | 16h29

Peter Gabriel
Peter Gabriel: Artista de vanguarda desde os tempos do Genesis

Sei que ‘lindo’ é um adjetivo meio, digamos, sensível demais para descrever um disco, mas vamos lá: ‘Scratch my Back’, de Peter Gabriel é um disco… lindo.

O projeto é interessante, e o próprio cantor detalha no encarte: “Escrever canções foi o que me atraiu para o mundo da música. O processo de criar uma boa canção me parecia excitante e mágico. Há muito tempo que eu quero gravar algumas das minhas canções favoritas de outros compositores, focando mais no meu lado intérprete do que no lado compositor”, diz Peter.

“No entanto, ao contrário de gravar um disco de covers, achei que seria mais interessante criar um novo tipo de projeto em que os artistas comunicassem entre si, trocando canções. Eu gravaria a canção de um artista, ela gravaria uma minha. Foi aí que nasceu o nome do projeto.”

(‘Scratch my Back’, nome do disco, é uma expressão popular em inglês que significa ‘você coça minhas costas, eu coço as suas.’)

Como Peter mesmo explicou, é um disco com canções de outros artistas. Mas seria injusto com ele e com o produtor, Bob Ezrin, chamar o projeto de um disco de covers. Em primeiro lugar, é bem difícil reconhecer as canções porque elas estão totalmente diferentes do original – e isso é o grande trunfo do disco.

O repertório é o seguinte:

‘Heroes’ (David Bowie)
‘The Boy in the Bubble’ (Paul Simon)
‘Mirrorball’ (Elbow)
‘Flume’ (Bon Iver)
‘Listening Wind’ (Talking Heads)
‘The Power of the Heart’ (Lou Reed)
‘My Body is a Cage’ (Arcade Fire)
‘The Book of Love’ (The Magnetic Fields)
‘I Think it’s Going to Rain Today’ (Randy Newman)
‘Après Moi’ (Regina Spektor)
‘Philadelphia’ (Neil Young)
‘Street Spirit – Fade Out’ (Radiohead)

Não pense também que Peter cria versões baseadas em seu estilo de pop-adulto, como na maioria de seus discos pós-Genesis. As versões foram orquestradas com arranjos excelentes (Bob Ezrin é um conceituado produtor de música clássica, além de ter trabalhado com roqueiros como Gene Simmons, do Kiss, e David Gilmour, do Pink Floyd) e de muito bom gosto, o que deu origem a um disco original e cheio de climas.

Enfim, um disco… lindo.