'Closer' – Um filme que não sai da cabeça

Estadão

28 de outubro de 2008 | 22h18

Natalie Portman

O texto a seguir é de um amigo meu, que enviou por e-mail esse comentário bastante interessante sobre ‘Closer’. Gostei bastante, até porque já escrevi sobre o filme com uma visão bastante diferente da dele. Há até uma referência a um texto anterior, ‘Pessoas Fechadas e Abertas’. Enfim, vamos ao texto, e depois você me diz o que achou:

Perto demais… do pé atrás

Henrique J.

Há algum tempo criei uma classificação para casais: É comum, com maldade, olhar um casal e comentar: ‘são duas horas de mulher para dois minutos de homem’, ou vice-versa.

Você sabe que isso vai terminar, a qualquer hora, num baita par de cornos na testa de um deles. Tão evidente como 2+2 = 4.

O desequilíbrio maior é aquele que acaba no caso Lindemberg/Eloá, porque é evidente que ele desenvolveu um amor paterno-possessivo pela menina e sonhou que aquela criança seria sua virgem santa a vida toda, coitado, acreditando em mulheres de um homem só.

Mas quero falar do que achei mais emblemático nesse sentido de equilíbrio de casais nos últimos anos: o filme ‘Closer’. Aquilo lá é um laboratório de estudo, porque tem relações entre homens, relações entre mulheres e relações entre casais.

Sempre achei que havia apenas um casal totalmente equilibrado neste filme, o Clive Owen com a Nathalie Portman, porque ele é um voyeur assumido e ela é uma stripper assumida em todas as suas situações: para ele, para a fotógrafa (ela se mostra nas fotos) e para o Jude Law (ela se mostra no livro). Esse casal juntou a anorexia com a vontade de não comer,
ou seja, foram feitos um para o outro inclusive na personalidade. Os dois têm mais malícia – e ela é ainda mais perigosa, uma armadilha viva, stripper com cara de anjinho.

Uma outra relação que poderia ser equilibrada seria a da Julia Roberts com o Clive Owen, porque os dois são fortes, têm a própria vida, uma excelente condição, mas o cara é o típico garanhão e não deixaria uma mulher passar incólume pela vida dele.

Já a relação Julia Roberts/Jude Law é totalment maternal, ela comanda e ele, como garoto mimado, faz suas criancices e se dá mal. Eram duas horas de mulher para dois minutos de homem, claro, esquecendo que os dois são bonitos. Só que ele é frágil. O irresistível inconsistente.

E para mim a relação mais malvada de todas (é óbvio que vai dar errado) é a do Jude Law, escritor, com a Natalie Portman. Porque ele é o patinho que ela precisava, e a sensibilidade do filme está nisso, em perceber que ele tem essa cara frágil, essa testa pronta para receber os cornos e as dores, além de ter criado um amor paternal por ela. Qualquer sentimento que alguém tenha por um rosto como o da Natalie Portman beira o sagrado, já que ela passa esse ar angelical.

É esse desequilíbrio de belezas e caráteres que fazem o povo estar tão complicado e mal resolvido hoje, todo mundo em depressão amorosa, homens cada vez mais gays, mulheres cada vez mais lésbicas e todos com o pé atrás na hora de se relacionar.

É isso que está fazendo, na minha modesta opinião, pessoas que deveriam ser abertas agir como pessoas fechadas…

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