Chris Cornell, um dos melhores shows do ano

Estadão

14 de dezembro de 2007 | 13h08

cornell

Há muito tempo que eu não ia a um show que mexia comigo. Não digo ‘mexer’ daquele jeito morno, ‘legal, esse show foi bom’, mas sim ‘NOSSA, QUE SHOW MARAVILHOOOOSO’. Também fazia tempo que eu não ficava pulando e gritando até ficar rouco. Acho que o bom rock and roll tem dessas coisas: ontem à noite, no show do Chris Cornell, eu voltei a ter 22 anos.

A primeira vez que vi Cornell cantando ao vivo foi em 1992, numa turnê de peso: Soundgarden, Faith no More e Guns ‘N’ Roses tocaram num estádio de futebol em Budapeste, na Hungria. Soundgarden sempre foi minha banda preferida de Seattle, mais até do que Nirvana. Acho que o Nirvana tinha os melhores ‘singles’, mas o Soundgarden lançou os melhores discos do grunge – o Pearl Jam e o Alice in Chains corriam por fora, na minha opinião.

Ao contrário do que muita gente diz, o grunge foi, sim, um grande estilo de rock. Não foi tão importante culturalmente quanto o punk, mas foi mil vezes mais importante em termos de música – até porque o punk era musicalmente um lixo. As bandas grunge tinham bons músicos, atitude e um visual que inspirou muita gente nos anos 90 (inclusive eu).

Voltando ao show: Chris Cornell cantou os maiores sucessos do Soundgarden, do Audioslave e de sua carreira solo (veja abaixo o setlist). O cara é muito legal e desencanado (entrou de casaco, depois tirou e ficou só de jeans e camiseta preta, largadão – foto acima de Tiago Queiroz/AE). E o mais importante: o cara canta muito. Não só pelas 2h30 de agudos perfeitos, mas porque seu timbre de voz é excelente; Cornell ainda é um compositor incrível e toca violão super bem. Quer mais?

Então toma: Cornell também é o queridinho da mulherada, e estrelou a campanha de 2006 da supergrife americana John Varvatos. Como se não bastasse, ele mora em Paris, onde tem um restaurante, ‘Black Calavados’ (BC). É casado com Vicky Karayiannis, com quem tem dois filhos (Toni e Christopher), e tem também uma filha do primeiro casamento, Lillie Jean.

Por falar em ‘Jean’, só um cara com a personalidade do Cornell poderia gravar uma versão de ‘Billie Jean’, do Michael Jackson, e não soar ridículo.

Lembrei de uma coisa: olha que trecho legal da letra de ‘Preaching the End of the World’ (Pregando o fim do mundo), do primeiro solo dele, ‘Euphoria Morning’:

“Está tudo bem, você pode me ligar agora
É apenas o fim do mundo
Você precisa de um amigo no mundo
Porque não dá para se esconder
Então me ligue e eu atenderei
Se as suas intenções são puras
Eu preciso de um amigo para estar comigo
Quando o mundo acabar”

Legal, né? Ele tocou esse trecho no violão, ficou muito bom.

A banda de ontem foi a seguinte: Peter Thorn (guitarra), Yogi Lonich (guitarra), Corey Mc Cormick (baixo) e Jason Sutter (bateria) – uma banda bem afiada, por sinal. O setlist abaixo é o do Rio de Janeiro; aqui ele mudou bastante a ordem, acrescentou várias músicas e covers como ‘Billie Jean’ e ‘Whole Lotta Love’, do Lez Zeppelin. Matador!

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