Carnaval? Me inclua fora dessa

Estadão

31 Janeiro 2008 | 11h14

Carnaval

(Esse texto foi publicado no Jornal da Tarde na véspera do Carnaval 2007. Mas como Carnaval é tudo igual… por que texto sobre Carnaval não pode ser tudo igual? Por acaso alguma coisa mudou do Carnaval do ano passado para este? Espero que quem goste de Carnaval não se ofenda, e quem não gosta… se identifique.)

Bjs,

F.

Não entendo como alguém pode gostar de Carnaval. Adoro a parte das mulheres seminuas, mas acho que um País que pára quatro dias (ou quatro semanas, em alguns Estados) para o povo dançar nas ruas não pode ser levado a sério.

Pôxa, mas o cara vai ser ranzinza bem na véspera de Carnaval? Vou. Até porque semana que vem os foliões de verdade não vão abrir o jornal nem para fazer chapéu de pirata – alguém ainda usa fantasia de pirata? Aliás, alguém ainda usa alguma fantasia?

Não quero ser do contra, mas tem coisa mais chata que samba-enredo? São todos intermináveis e exatamente iguais. O som dos tambores pode até ser exótico para um gringo que gosta de ópera, mas as letras são insuportáveis até para quem não fala português. São sempre os mesmos ‘orixás’ rimando com os mesmos ‘patuás’ e a ‘mãe-natureza’… é sempre aquela mesma ‘beleza’ (opa, estou pegando o jeito).

Para falar a verdade tem, sim, coisa mais chata que desfile de escola de samba: a cobertura da TV dos desfiles das escolas de samba. “Olha aí! A Portela entrou na avenida”, começa o locutor. “Opa! A Portela segue na avenida”, continua, meia hora depois. E a cobertura dos bailes gay? São su-per-a-ni-ma-das.

Minha única frustração é nunca ter passado o Carnaval em Salvador. O evento tem números impressionantes: você paga R$ 1.000 por uma camiseta para ficar espremido entre 2 milhões de pessoas e zero banheiro por perto. E o mais incrível é que você ainda bebe 259 cervejas e beija 454 garotas.

Daí vem aquele papo: ‘Carnaval movimenta a economia’. Ô. Movimenta as contas de muitos empresários… principalmente daquele ramo conhecido no exterior como ‘turismo sexual’. E, aqui, conhecido como… deixa pra lá.

Só gostei de Carnaval uma vez, quando desfilei pela Gaviões da Fiel em 2001 (ver post acima). O melhor foi o aquecimento: bebi cerveja com os corintianos e vi a mulherada aplicando um brilho aqui e outro ‘ali’. Mas bebi tanto que só me lembro de ter caminhado três minutos com os dedinhos para cima numa rua super iluminada.

Apesar de tudo, bom Carnaval. Pelo menos é feriado.