Black Sabbath com Dio: Heaven and Hell

Estadão

18 de maio de 2009 | 15h28

Beto Barata/AE
Ronnie James Dio tem mais de 60 anos, cerca de 1,50m de altura e deve pesar uns 45 kg no máximo. Será que esse cara fez algum pacto para ter uma voz tão poderosa? Tenho até medo de perguntar. A diabólica foto acima é de Beto Barata/AE

O show do Heaven & Hell, na última sexta-feira no Credicard Hall, foi um retrato perfeito do que é a banda. Para quem não sabe, ‘Heaven & Hell’ significa ‘Paraíso e Inferno’. Pois é, o repertório foi ‘heaven’; o som, ‘hell’.

Nunca pensei que fosse falar isso, mas o som estava muito alto. A voz estava tão insuportável que me arrependi de não ter levado meus protetores auditivos (vários amigos meus estavam usando). Será que estou velho? Talvez. Ou talvez o som estivesse muito alto mesmo, principalmente para quem estava na Pista VIP.

(Pista VIP, aliás, funciona muito bem em estádios e ginásios grandes. Mas em uma casa como o Credicard, obriga o público a ficar muito perto do palco, o que seria ótimo se não significasse também que o público fica em frente ao P.A., o sistema de som. Ou seja: você vê o Tony Iommi de pertinho, mas fica surdo.)

O Heaven & Hell nada mais é do que o que a gente antigamente chamava de ‘Sabbath com o Dio’. O Black Sabbath tem duas formações clássicas (três, se contar a com o Ian Gillan, que gravou apenas o ‘Born Again’). Uma delas é com o Ozzy, com repertório com canções como ‘Paranoid’, ‘Iron Man’, ‘Sympton of the Universe’. A segunda é com o Ronnie James Dio, com músicas dos discos ‘Heaven and Hell’ (1980) e ‘Mob Rules’ (1981). Para alguns pode até ser um sacrilégio, mas musicalmente a segunda formação é bem melhor (Dio canta muito mais do que Ozzy e, em relação aos bateristas, Vinnie Appice, da formação 2, também é muito mais técnico que Bill Ward, da formação 1).

O show tem apenas músicas da formação com Dio, e ainda conta com algumas músicas novas. O repertório foi muito legal, com canções como ‘Mob Rules’, ‘Die Young’, ‘Neon Knights’ e o coro ‘ô, ô, ô, ô…’ de ‘Heaven & Hell’. Cantei com toda a força dos meus pulmões, apesar de não ouvir nem a minha própria voz.

Dois comentários que eu faria (como fã, não como jornalista):

1. Por que eles só tocaram a introdução de ‘Country Girl’? É uma das minhas favoritas do ‘Mob Rules’…

2. Por que eles não tocam algumas músicas da carreira solo do Dio? Aposto que os 6 mil headbangers que estavam na plateia adorariam ter ouvido ‘Rainbow in the Dark’ ou ‘Don´t Talk to Strangers’.

Não posso reclamar muito, porque afinal de contas, é sempre um privilégio ver os mestres do metal tocando por aqui. Tive a oportunidade de abrir para o Black Sabbath em duas ocasiões, em 1992 e 1994, e foram experiências maravilhosas e motivos de muito orgulho. Enfim, apesar dos probleminhas de som, o show do Heaven & Hell vai ficar na minha memória durante um bom tempo. E não apenas enquanto durar o zumbido do meu ouvido.

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