Bate-papo no boteco

Estadão

27 de novembro de 2007 | 14h35

Entre as seções que apresento por aqui, há pelo menos uma que não tenho dado a atenção necessária: ‘Filosofia de Boteco’.

Tenho feito isso, principalmente, porque filosofia de boteco é sempre uma besteira. Mas, como a experiência descrita é intrinsicamente relacionada à vida masculina, inauguro aqui uma variação sobre o tema: sai a filosofia de boteco, entra o ‘bate-papo de boteco’. Ou seja: reproduzo aqui idéias trocadas com amigos meus em meio a alguns chopes. Se alguém gostar, eu continuo publicando isso de vez em quando.

O papo a seguir, dividido em itens, aconteceu no bar Filial, na Vila Madalena, no fim de semana passado. Vou manter o nome do amigo que estava comigo em sigilo para proteger a reputação – dele, claro. Já aviso de antemão: dois amigos de infância num bate-papo de bar só falam besteira.

1. Estávamos na mesa tomando chope quando, de repente, o garçom nos surpreende:

“Alguma coisa para beliscar?”

Nem precisei pensar muito para responder:

“A bunda da Juliana Paes, pode ser?”

2. Nunca na história deste país um governo esqueceu um plano tão rápido quanto aconteceu com o PAC. Por isso, o presidente Lula pretende lançar um novo projeto: o ‘Concordância Zero’. Inspirado naquele programa que acabou com a violência em Nova York (o Tolerância Zero), Lula vai exigir que todos os brasileiros cometam os mesmos erros de português que ele.

3. Por que a Academia sueca só dá o Prêmio Nobel da Paz para quem se ferrou na vida? “Bom, o Mandela já sofreu bastante. Dá o Nobel da Paz para ele.” “Madre Teresa de Calcutá? Nossa, coitada. Dá um pra ela também.” No jargão acadêmico, o Nobel da Paz deve ser, tipo assim, um prêmio de consolação.

4. Na mesa ao lado, um casal trocou um dos chopes mais famosos de São Paulo por… dois copos de Coca-Cola. É o cúmulo do casal ‘perdedor’: o cara convida a mulher para sair e tomar um chopp, e os dois acabam tomando dois refrigerantes quentes.

5. Todo cineasta (ou cara metido a cineasta) no Brasil tem que ter uma barbinha por fazer.

6. Sabe aquele cara supermetido a gourmet, que fez vários cursos de degustação de vinho francês e tudo mais? Pois é, outro dia o encontrei na fila do restaurante por quilo.

7. Como na sociedade dos primatas, também temos o macho-alfa e a fêmea-alfa. Será que entre os homossexuais existe algo como o gay-alfa e a lésbica-alfa?

Eu disse que era tudo besteira. Você que não quis ouvir.

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