Salvem as bolsinhas de valores

Estadão

05 de julho de 2007 | 12h46

Leio as notícias sobre agressões a garotas de programa e fico revoltado. Um ator da Globo é acusado de jogar uma delas para fora do carro; em São José dos Campos um criminoso maluco põe fogo numa prostituta (ele jogou álcool e ateou fogo – quem sai à noite com álcool no carro?); outros marginais de classe média dizem que espancaram uma moça no ponto de ônibus “porque pensaram que ela uma prostituta”. Sabe de onde vem esse exemplo? Dos políticos que ‘trabalham’ em Brasília. Impunidade é uma arma descontrolada que atira para todos os lados: uma hora acerta o coração e acaba com o Brasil.

Aproveito para reproduzir um texto publicado no Jornal da Tarde há algum tempo, onde trato mais ou menos sobre esse assunto:

Não tenho nada contra prostitutas. Muito pelo contrário. Uma profissão que existe desde que o mundo é mundo só pode ser essencial para a sociedade, ou já teria desaparecido há muito tempo.

Essas profissionais trabalham honestamente (pelo menos na maioria das vezes) e vendem uma coisa que lhes pertence. Ou seja, ninguém pode dizer que não é uma forma de comércio tradicional. Você tem um produto, coloca-o em exposição cara a cara com a concorrência e tenta encontrar um cliente para comprá-lo. Se isso não é comércio, então não sei o que é.

As prostitutas, que chamarei carinhosamente de ‘primas’ daqui pra frente, são uma gigantesca classe de microempresárias, embora algumas tentem disfarçar o ‘micro’ com litros e litros de silicone.

As primas são importantes para a sociedade por várias razões, além, claro, daquelas que todo mundo sabe quais são. Uma delas é econômica: elas rodam as bolsinhas e a economia gira. É como se essas bolsinhas fossem ‘microbolsas de valores’, que sobem e descem de acordo com a oferta e a procura. Não posso entrar em detalhes sobre as ações negociadas nessas bolsinhas de valores, já que esta coluna é um espaço, digamos, família. Mas posso dizer que as primas seguem praticamente à risca a lógica dos pregões: lucram mais em um bom mercado de capitais (Brasília, por exemplo) e concentram o trabalho sempre em um único lugar da cidade, área onde o pregão é identificado geralmente por uma luz vermelha. As primas só não saem gritando ‘vende’ e ‘compra’ pela rua porque aí já seria demais. Pena que no Brasil este tipo de microempresária só receba apoio informal dos políticos, se é que vocês me entendem.

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