Amores fáceis, amores difíceis

Estadão

17 de setembro de 2008 | 10h37

Tem coisa mais verdadeira do que um velho ditado? Outro dia ouvi críticas ao comportamento desses herdeiros milionários que saem toda semana em revista de celebridade, dizendo que quem ganha dinheiro fácil também gasta fácil. Com todo o respeito aos corações quebrados do mundo inteiro, acho que podemos aplicar o velho ditado ao amor.

Vamos imaginar uma cena: você conhece alguém no finalzinho de uma balada superlouca, quase de manhã. No dia seguinte, acorda e descobre no bolso da calça um guardanapo amassado com um número de telefone rabiscado. Seus neurônios ainda estão meio com sono, mas então você se lembra de que beijou uma garota, apesar de não se lembrar nem do rosto nem do nome dela. Convenhamos que essa pode até virar uma história de amor maravilhosa, mas a verdade é que provavelmente você estará diante de um típico caso de apenas uma noite de duração. E o guardanapo amassado, salvo raras exceções, deve parar mesmo é no lixo.

(O que? Você conheceu seu marido assim? É claro que eu acredito. O amor não tem lógica nenhuma, tem?)

Há casos de relacionamentos que vêm da maneira mais fácil do mundo e, na hora de ir embora, nos deixam daquela maneira estranha, difícil, com um sentimento que a gente não aceita de jeito nenhum. Por outro lado, há amores que chegam truncados, complicados, com o casal lutando contra tudo e todos para ficar juntos… até que o relacionamento se concretiza e os dois percebem que não era nada daquilo. A guerra para mantê-lo aceso acaba se tornando apenas uma decepção para contar aos amigos numa mesa de bar.

Não há uma receita para saber qual desses dois tipos de fim terá o seu amor, se algum dia (toc, toc, isola) ele terminar. Porque é fácil dizer como esse amor nasceu; é só lembrar se foi fruto de uma conquista brava ou se você apenas estalou os dedos e a outra pessoa caiu de quatro. Mas você só vai descobrir o tipo de memória que seu amor deixará depois que ele disser adeus. E aí o sentimento estará fora das suas mãos. Como sempre esteve, aliás.

Um amigo me disse outro dia uma frase que me marcou. Ele falou que se um relacionamento chega ao fim, não é porque ele não deu certo: é porque deu certo durante o tempo que tinha que dar. De certa forma, é uma variação do famoso ‘Soneto da Fidelidade’, de Vinícius de Moraes: ‘Que (o amor) não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure’. Mas é uma outra formulação bem interessante, não? Um pouco mais otimista do que casais que terminam seus relacionamentos estão acostumados a ouvir.

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