Alemão, o bom moço das cavernas

Estadão

02 Abril 2007 | 10h35

Esta é a última vez que escrevo sobre Big Brother na vida. Prometo. Como ex-BBB, no entanto – passei algumas horas na casa antes de o programa começar –, me sinto na obrigação de falar um pouco sobre o BBB 7 antes de ele acabar, amanhã. E sobre seu provável vencedor, o tal do Diego Alemão.

Ainda não consegui entender por que ele é tão popular. Acho que é porque os outros participantes são (e eram) muito limitados. Quando vejo a carioca Carollini tentando explicar suas estratégias para o ‘jogo’ (eles adoram dizer que tal pessoa ‘está jogando’, acham que soa inteligente) dá quase para ver os dois neurônios dela dando um nó. A Analy, então, era o ‘elemento nada’: nem contava. A ex-corpo-escultural-atual-vigiliantes-do-peso Bruna é a garota sem personalidade, aquela que a gente costuma dizer que ‘vai com as outras’. E como as outras são toupeiras… ela também enfia a cabeça no chão. Se eu fosse psicólogo, diria que a coitada anda descontando a ansiedade ‘bigbrotherística’ em alguém que nem faz parte do jogo: a geladeira. Depois de passar três meses eliminando inimigos, ela vai ter lutar para eliminar o excesso de peso.

Acho que essa é uma das grandes diferenças. Nos BBBs anteriores, a produção limitava a comida e a bebida. Um erro, como se viu. Com bebida à vontade, a chance de episódios polêmicos (polêmica = audiência) aumenta. Deu no ‘New York Times’: ex-BBBs americanos revelaram que a produção incentivava as bebedeiras para ver se rolava mais sacanagem.
O grande personagem do BBB 7 não é uma das garotas, muito menos o caubói que se achava esperto e era um mala. O cara é o Alemão.

Tudo bem, ele é boa pinta e a audiência do programa é predominantemente feminina. Mas acho que o que conquista a mulherada é a sua mistura de bom moço com homem das cavernas, uma espécie de lutador de jiu-jítsu que leva flores para a avó no Dia das Mães.

Veja bem, isso não é uma crítica. Talvez seja o que nos resta no Brasil de hoje: premiar simplesmente quem é normal. Não precisa ser um grande herói, nem a pessoa mais carismática do mundo. Basta não ser mau-caráter. Como parece que é o caso aqui… boa sorte, Alemão.