Achados e perdidos

Estadão

24 de setembro de 2007 | 10h11

Outro dia uma amiga me perguntou: por que os homens adoram ‘dar um perdido’ nas mulheres? Em primeiro lugar, é bom traduzir o que significa a expressão ‘dar um perdido’ em alguém. Imagine que você está numa balada e conhece uma garota. Vocês ficam juntos (ficar = beijar na boca sem compromisso), mas depois de um tempo você olha direito e vê que a garota não é tudo aquilo. Aí você diz para ela que vai ao banheiro e não volta mais. Na gíria, isso é o que se chama ‘dar um perdido’.

Antes de seguir com acusações e justificativas, vamos esclarecer que não são só os homens que andam dando perdidos por aí. Nada impede que uma mulher beije um cara no escuro e depois perceba que ficou com um sósia do Ronaldinho Gaúcho. Arrisco a dizer que hoje em dia, homens e mulheres dão perdidos na mesma proporção: meio a meio.

As pessoas fazem isso porque, em algum momento do beijo ou do papo, tomaram consciência de que merecem beijar alguém melhor. Melhor em quê? Sei lá, em alguma coisa. É cruel, mas este sempre é o conceito por trás de um perdido bem dado.

Há também casos de adolescentes – ou adultescentes – que só querem bater recordes: “Fiquei com 18 na mesma noite”, gabam-se. No Carnaval de Salvador, por exemplo, o difícil é não dar um perdido: a confusão é tão grande que nem o cara que se apaixonou ao primeiro beijo tem como descobrir o nome da garota que acabou de beijar.

Com a mesma rapidez que leva um perdido, porém, a garota também pode ‘dar um achado’ em outro cara. É isso aí: antes de ficar chateada, pense que quem te deu um perdido não tinha nada a ver com você. Por alguma razão, vocês não se completaram. E daí? Bola pra frente – ou melhor, balada pra frente. Nada melhor do que um achado para curar um perdido.

O achado é aquele cara que fala que vai ao banheiro e volta cinco minutos depois, conforme o combinado. Depois ele diz que vai ao bar, pergunta se você quer alguma coisa e ainda volta com dois copos. Ele pede seu telefone, promete que vai ligar e… liga. Tudo bem, no mundo existem mais perdidos do que achados. Mas o perdido é um cara que você esquece em cinco minutos. O achado pode ser para sempre.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.