A única coisa boa do filme 'Turistas'

Estadão

04 de dezembro de 2006 | 17h30

Andrea Leal

Eu não vi, mas tenho certeza de que a única coisa que vale a pena no filme ‘Turistas’ é a brasileira Andréa Leal, de 28 anos. Aliás, de ‘Leal’ ela não tem nada, (trocadilho infame) já que o filme acaba com o Brasil. Andréa, que tem uma bela carreira cinematográfica (ela atuou em ‘Popstars’, da Xuxa) é a garçonete Camila, que atrai os americanos para uma armadilha cruel, etc.

Vocês devem saber sobre qual filme eu estou falando. ‘Turistas’ é um filmeco que mostra americanos sendo maltratados e assaltados no Brasil, etc. Os americanos, bonitinhos e loirinhos, caem em um golpe ‘boa noite, Cinderela’ e têm seus órgãos roubados por um traficante. Ou seja, super light. Ainda bem que o filme foi um fracasso: no fim de semana de estréia a produção só arrecadou US$ 3,5 milhões, fraquíssimo para os padrões americanos. Só para se ter uma idéia, o terror ‘Jogos Mortais 3’ faturou US$ 33 milhões.

“Turistas” é a primeira produção da Fox Atomic, divisão da Fox voltada para o público jovem. Custou só US$ 10 milhões para ser produzido e US$ 30 milhões no marketing. O filme é tão ruim que o New York Times definiu a produção como ‘retardada’.

Por mais que a gente fique com raiva, porém, os produtores americanos não são tão culpados em fazer um filme assim. Quem é culpado é o Brasil, que permite que situações como as retratadas pelo filme (agressões e assaltos a turistas) ocorram. No nosso querido Brasil, parece que o culpado nunca é o ladrão, mas quem grita ‘pega, ladrão’. Ainda mais se quem grita é estrangeiro. É mais fácil ser xenófobo do que resolver os problemas.

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