A solução é o poli-amor

Estadão

04 de agosto de 2009 | 17h27

Penélope Cruz/AFP PHOTO DDP / MICHAEL KAPPELER

Eu adoraria ter a atriz Penélope Cruz como companheira de poli-amor. Tenho certeza de que eu iria poli-amá-la

Em alguns países árabes é permitido aos homens manter oficialmente relacionamentos com mais de uma mulher. Dizem que até com quatro ao mesmo tempo, veja só. A única exigência é que o marido pague os gastos das mulheres e não deixe faltar nada em casa. Não sei quanto custa uma burca Louis Vuitton, mas acho que a conta no fim do mês deve ser bem salgada. Mesmo assim, o costume continua vivo. Por quê?

Porque os árabes oficializaram a teoria do poli-amor. Eu nunca havia pensado por esse lado até encontrar um amigo meu em Curitiba. Não, ele não é árabe. Está mais para alemão, para falar a verdade. Mas veio com esse papo de que o poli-amor é a saída para todos os nossos problemas. No início, achei que ele estivesse bêbado. Depois, comprovei que ele estava mesmo bêbado, mas que a teoria até que era interessante.

O poli-amor é o sentimento máximo masculino dividido entre algumas mulheres. Homens assim são chamados de ‘galinhas’, ‘cafajestes’ e outros elogios desse tipo. Mas não é nossa culpa. Fomos criados desde a pré-história para viver o poli-amor, mas em algum trecho do caminho a sociedade ocidental nos proibiu.

O poli-amor nada mais é do que a vontade de estar com pessoas diferentes em situações diferentes. Vamos supor que você adore ir ao cinema com uma garota, mas não tem tanto interesse assim em passar a noite com ela. Ou digamos que você seja apaixonado pelo corpo de uma mulher, mas não aguenta ouvi-la cinco minutos quando ela abre a boca.

Por que não podemos ter uma garota para ir ao cinema e outra para levar para casa? O poli-amor resolve esse tipo de problema. Cada mulher tem uma qualidade em que é superior às outras. O poli-amor permite que você descubra – e aproveite – a maior qualidade de cada ser humano. O problema para a aceitação desse conceito é que a sociedade exige que a gente tenha e faça tudo com uma pessoa só. E isso cria uma ansiedade, porque nenhuma mulher é completa. Infelizmente, a ciência ainda não produziu nenhum Frankenstein parecido com a Alessandra Ambrósio. Então o cara começa a se lembrar dos bons momentos com suas outras companheiras de poli-amor e corre o risco – coitadinho – de cair em tentação.

Você provavelmente vai achar esse papo machista – concordo que ele pode dar essa impressão à primeira vista. À segunda, também. Mesmo assim, acho que a teoria do poli-amor não pode ser aplicada aos homens. Por quê? Não sei, estou apenas defendendo meus amigos. Talvez seja melhor você perguntar aos árabes.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.