A primeira vez no zoológico

Estadão

22 de abril de 2009 | 11h38

Leaozinho
Tem coisa mais linda que um leãozinho? Tem: minha filha visitando o zoológico

Se você está lendo esta coluna hoje, deve agradecer (ou amaldiçoar) o Zoológico de São Paulo. Não, eu não me formei lá, antes que você venha com essa piadinha previsível. A história é que fui contratado como repórter graças a uma matéria sobre o local, então acredito, sim, que os animais contribuíram para a minha carreira profissional.

Não é só por isso que costumo passear por lá, como fiz no último sábado. Fui ao zôo para minha filha ver pela primeira vez os animais pessoalmente (não deveria ser animalmente, já que eles são animais, não pessoas?). Ir ao zôo é um dos passeios mais legais e importantes na vida de uma criança. Um clássico, eu diria.

O Zoológico de São Paulo não é perfeito, mas está bem melhor que o de Pequim, que conheci durante a Olimpíada. Pena que eles têm pandas; nós não. Mas lá os outros bichos ficam confinados em tanques de concreto com tanta vegetação quanto um estacionamento da Avenida Paulista. Aqui é o contrário: a área destinada a alguns bichos é tão grande que a gente nem consegue encontrá-los (os diretores do zôo devem ler isso e cair na risada: ‘olha só, o cara acreditou que tinha algum leão lá, hahaha’).

Vou desapontar os fanáticos por animais, mas acho que zoológicos são um mal necessário para a humanidade. Não gosto do conceito de ‘bichos presos’, mas acredito que a mágica de vê-los de perto é importante para educar as crianças e ensiná-las a amar a natureza.

Nem todas as crianças que vão ao zoológico se tornam veterinários ou defensores dos animais, mas tenho certeza de que os poucos que se tornam guardam na memória alguma imagem inesquecível de um animal na infância. Sob esse ponto de vista, os bichos do zoológico são como ‘mártires’ da causa animal – mesmo sem saberem.

Minha filha teve reações diferentes: amou a girafa, não gostou muito do elefante. Ela é bem novinha, acho que ficou com medo daquele monstro enorme. Bebel adorou os macaquinhos pequenos, mas chorou após passar um minuto olhando fixamente para um chimpanzé. O que será que passa na cabeça de uma criança quando vê um chimpanzé (e vice-versa)? Acho que reconhecem intuitivamente o parentesco distante, primal. Ou ela só achou os ‘caras’ meio esquisitões, sei lá.

Só sei que, desde aquele dia, toda vez que um macaco aparece na TV ela começa a dar risada e a correr pela sala com os bracinhos pra cima, imitando o bicho. Como você acaba de descobrir, além do meu início de carreira, agora eu tenho outra razão para amar o zoológico.