A Páscoa e a Lei de Newton

Estadão

03 de abril de 2010 | 13h21

Isaac Newton

Não, o cara aí em cima não tocava em alguma banda alemã de heavy metal dos anos 80

Domingo de Páscoa é uma daquelas datas que fazem a gente pensar, independente da religião que seguimos. Para os cristãos, marca a ressurreição de Cristo; para o Judaísmo, representa a passagem do Egito até a Terra Prometida. Acho que essa palavra é uma tradução do espírito da data: ‘passagem’.

Apesar dos significados diversos, é possível perceber características comuns nas expressões ‘ressurreição’ e ‘passagem’, não? Ambas dizem respeito a mudanças radicais, formas diferentes de encarar a existência… enfim, novas visões de vida.

Dito isso, vamos a outro ponto: acredito que o homem tem a tendência de permanecer no estado em que se encontra. É físico, mas também psicológico. É por isso que muitas vezes qualquer mudança é vista como negativa. Discordo. Acho que mudanças são invariavelmente boas, ou pelo menos têm seu lado positivo.

De acordo com a primeira Lei de Newton, ‘todo corpo continua no estado de repouso ou movimento retilíneo uniforme, a menos que seja obrigado a mudá-lo por forças a ele aplicadas’. Traduzindo isso para a nossa vida prática, eu diria que existem em nós a tendência a nos acomodar na situação em que nos encontramos, a menos que sejamos obrigados por alguma ação externa.

A teoria de Newton fala ainda em movimento retilíneo uniforme, que pode ser traduzido para o popular ‘devagar e sempre’. A atitude pode ser vista como uma série de mudanças lentas e constantes que geralmente nos ajudam e facilitam a adaptação ao novo.

Newton não explicou como isso se aplica ao comportamento humano, mas vou arriscar: há pessoas com tendência maior ao repouso; outras se identificam mais com o movimento retilíneo uniforme.

Acostumados ao repouso, os ‘acomodados’ sofrem mais com mudanças. Para eles, mudar envolve um esforço doloroso que pode até desestabilizar outros aspectos da vida durante o processo. Já os acostumados com o movimento uniforme estão acostumados a evoluir, e por isso se adaptam melhor a novos cenários.

Tudo isso para dizer o quê? Que ser acomodado é perigoso, porque é aí que entra a parte final da Lei de Newton, ‘a menos que seja obrigado a mudá-lo por forças a ele aplicadas’. E ninguém está imune às forças aplicadas a nossa vida por agentes externos. Pode ser sua família ou seu chefe, mas também pode ser um evento sobre o qual não se tem controle nenhum. É impossível fazer planos contra o acaso.

Aproveite a Páscoa para pensar nessa ‘passagem’: saia do repouso e entre em movimento. Você vai estar mais preparado quando a mudança bater na sua porta.

Feliz Páscoa.