Joss Stone é a mulher perfeita

Estadão

17 de junho de 2008 | 11h54

Joss Stone

Foto: Thiago Cordeiro/AE

Ela é talentosa e tem uma voz maravilhosa. Ela tem um rosto lindo e um corpo melhor ainda. Ela é simpática e gente boa. Ela canta descalça e parece que está flutuando. Ela é inglesa, tem 21 anos e 1,80m. de altura. Ela é milionária e bem sucedida. Ela diz ‘olá’ e ‘obrigado’ com sotaquezinho. Ela canta soul music e sorri no final das músicas.

As mulheres da minha família que me perdoem, mas Joss Stone é a mulher perfeita.

Fui ontem ao show de Joscelyn Eve Stoker (sim, esse é o nome dela) no Via Funchal, em São Paulo, e posso garantir essa opinião não foi só minha, mas de todos os homens (e mulheres) que estavam lá. Há muito tempo eu não vejo um show em que o público passa o tempo inteiro elogiando o artista.

O público, inclusive, foi um show à parte. O Via Funchal estava completamente lotado e achei até meio engraçado, porque não parecia que eu estava em uma apresentação pop, normal, como às que estou acostumado a ir. A platéia da Joss Stone parecia ter saído diretamente das páginas de alguma coluna social, ou talvez da área VIP da Disco ou Mint, baladas AAA de São Paulo. Muitas mulheres bonitas, modelos e garotas com aquele estilinho mulher-fatal-com-sorriso-de-garota, como a própria Joss. As mulheres também se deram bem: a platéia estava cheia de caras altões e aquele estilo que faz sucesso nas revistas de Celebridade, tipo Fasano-Havaianas (milimetricamente largados).

Mas vamos voltar ao que interessa, ou seja, Joss (olha a intimidade). A cantora, que nasceu na cidadezinha inglesa de Devon (a mesma de Chris Martin, do Coldplay) apresentou um repertório variado tirado de seus três discos, ‘Soul Sessions’ (o melhor), ‘Mind and Body’ e ‘Introducing Joss Stone’ (nunca entendi porque o terceiro disco dela se chama ‘Apresentando Joss Stone’… mas ela já não tinha dois discos?). Os dois primeiros têm uma pegada mais soul, nos moldes das grandes cantoras da Motown, e o disco novo está mais para R&B. Mas se engana quem pensa que Joss Stone é uma espécie de Beyoncé made in England: Joss não parece gostar do estilo cafetões/carrões/diamantões. Joss, na verdade, tem muito mais classe e é um oásis na mesmice da R&B atual.

A começar por sua postura no palco: nada de rebolados vulgares ou simulações de sexo, como suas colegas americanas siliconadas. Joss rebola, sim, num microvestido de lantejoulas brancas, mas ela faz isso de um jeito maravilhoso e sedutor, que deve ter conquistado até a estátua no lobby do hotel ao lado do Via Funchal. Só para você ter uma idéia, Joss sussurra e dança com os bracinhos pra cima. Dançar com os bracinhos pra cima é de matar.

Acompanhada por uma banda bem competente, Joss cantou entre outras ‘Super Duper Love (Are you diggin on me?)’ e ‘Victim of a Foolish Heart,’ as minhas favoritas. Mas é difícil apontar as melhores do show, até porque ele é bem homogêneo e linear. A voz e o carisma de Joss costuram a apresentação como se fosse uma manta de tecidos macios, camadas de seda sobre veludo.

Assisti ao show com um amigo que é solteiro convicto, e fiquei surpreso quando ele comentou que se casaria com a cantora sem pensar duas vezes. Respondi que isso não era privilégio dele, mas um desejo de toda a torcida do Corinthians. Confesso que até eu tive momentos de fraqueza. No final do show, meio empolgado, pensei em gritar ‘Joss, I love you’, mas daí lembrei que eu era casado e que era melhor me controlar.

Alguns críticos dizem que Joss é um pouco superficial, que não sente o que está cantando. Eu discordo. Acho que ela canta com a alma, sim, só que é uma garota de 21 anos. Ela não tem a performance de uma Amy Winehouse, por exemplo, mas quem quer uma cantora talentosa drogada e caindo pelo palco? Joss é tranquila, bem sucedida, feliz. É obviamente influenciada por Janis Joplin, sim, mas numa versão aprimorada e politicamente mais correta – o que nesse caso está longe de ser um defeito. Principalmente porque a mulher perfeita, como era de se esperar, não tem defeitos.

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