A moda é ser cafajeste light

Estadão

04 de dezembro de 2006 | 12h15

Jece Valadão

A morte do Jece Valadão, na última segunda-feira, trouxe de volta ao vocabulário popular uma palavra que eu não ouvia há muito tempo: cafajeste. Acho que a expressão saiu de moda porque hoje há sinônimos bem piores para esse tipo de homem. Impublicáveis, claro.

Jece – cujo nome verdadeiro era Gecy, o que ele devia odiar – era o símbolo dos cafajestes brasileiros e nunca escondeu o orgulho disso. Até o dia em que ele virou evangélico e perdeu a graça.

A imagem que fica, porém, é a do machão que se casou seis vezes e teve nove filhos (só reconheceu quatro, como bom cafajeste que era). A morte de Jece nos remete também a outra questão mais, digamos, existencial: as mulheres gostam de homens cafajestes? Pelo pouco que conheço delas, eu arriscaria dizer que… sim. Mas só um pouquinho. Como vivemos atualmente em um mundo onde tudo é ‘diet’, eu diria que o ideal hoje é ser uma espécie de cafajeste light.

O cafajeste light, em primeiro lugar, gosta de mulher. Muito. E mulher gosta de quem gosta delas. É uma lógica meio simplista, mas cafajeste que se preza é simples mesmo – e monotemático: só pensa naquilo.

Tem uma questão que aproxima o cafajeste light do cafajeste clássico. Ambos tem o coração grande, ou seja, cabem muitas mulheres dentro dele. Mas a semelhança acaba aí: cafajeste clássico bate em mulher; cafajeste light bate-papo com a mulher.

Ao contrário do clássico, o cafajeste light trata bem as mulheres. Imagino esse personagem como um James Bond tropical, com o smoking aberto até o umbigo e correntona de ouro no peito. Vestido assim, chiquérrimo, ele chama o garçom e pede uma taça de Veuve Clicquot – em pleno ensaio da bateria da Mangueira. E bebe, claro, levantando o dedinho da mão direita. Santé, mano!
O cafajeste light abre a porta do carro para a mulher, mas dá um beliscão na bunda bem na hora em que ela vai entrar. Ele paga a conta do restaurante, mas faz questão de dividir o período do motel. É uma questão de honra, justamente para ela saber que ir para a cama com um especialista tem seu preço. E é caro.

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