A moda agora é ser ecossexual

Estadão

30 de abril de 2007 | 11h16

De tempos em tempos, surge uma nova tendência sexual que invade os meios de comunicação. O velho e bom heterossexual ainda é o tipo mais comum, talvez porque seja o único jeito do ser humano se reproduzir – pelo menos por enquanto.

Homens e mulheres homossexuais também já têm seu espaço garantido, seja nas ruas de São Francisco ou nos bares dos Jardins. Outro dia, aqui neste espaço, cheguei a declarar a morte dos metrossexuais, mas tenho certeza de que ainda resistem por aí uma meia dúzia de fãs do David Beckham. Outras tendências mais bizarras, que não podem ser citadas nesta seção-família, provavelmente também vão continuar existindo… mas a moda agora é outra.

A moda agora é ser ecossexual.

Tudo começou com uma paquera em um restaurante macrobiótico e terminou com uma camisinha verde (e olha que o cara nem era palmeirense). Daí vieram os vegetarianos sexy e os viciados na palavra ‘orgânico’. Quando menos se esperava, bum: o verde passou de cor a opção sexual.

O ecossexual é o homem ou mulher tão politicamente correto que dá vergonha de passar em frente a uma churrascaria mesmo quando não há nenhum deles por perto. Com os ‘ecos’ não tem aquela história de dar uns amassos no banco de trás do carro: o ecossexual só anda de bicicleta. Ou de metrô. Pelo menos enquanto o carro híbrido não ficar popular.

O ecossexual também não vai a barzinho: combina o encontro romântico num protesto do Greenpeace. São vegetarianos, claro, e ficam bravos quando a gente quer saber se são radicais. “Ué, mas você não come nem peixe?” Não, eles não comem peixe. Nem ovos, antes que você pergunte. O ecossexual não tem como ídolo o George Clooney ou o Brad Pitt. Ele ama tanto a natureza que quer olhar no espelho e ver sua pele verde. Como o Hulk.

Como os homossexuais, no entanto, os ecossexuais também têm grande dificuldade para se reproduzir. O problema acontece quando o casal começa a se beijar, parte para as próximas fases… e aí a coisa esquenta. O ecossexuais, muito conscientes, acabam interrompendo o ato ali mesmo: eles têm medo de contribuir para o aquecimento global.