A linguagem da São Paulo Fashion Week

Estadão

18 de janeiro de 2010 | 11h17

AFP Photo/Mauricio Lima

Alessandra Ambrósio, Alessandra Ambrósio, Alesssandra Ambrósio: Escrevi o nome dela várias vezes porque assim meu texto aparece quando ela digitar o próprio nome no Google. Costumo publicar pelo menos uma foto da Alessandra Ambrósio toda vez que ela vem ao Brasil. E não só porque ela é linda: tenho a esperança de que a Alessandra leia meus textos e me mande um e-mail dizendo o quanto este blog é bom. Não sei por que, mas isso ainda não aconteceu

Todo ano, entre o réveillon e o carnaval, acontece o segundo evento que eu mais gosto do ano: a São Paulo Fashion Week / Inverno (o primeiro é a São Paulo Fashion Week / Verão, por razões óbvias – é a temporada em que ocorrem os desfiles de biquíni).

Sabe por que eu gosto tanto da Fashion Week, mesmo sem entender nada de moda? Porque a Bienal atinge altos índices de MBDM², o tradicional indicador que mede a quantidade de Mulheres-Bonitas-e-Descoladas-por-metro-quadrado.

A Fashion Week número 28, que começou ontem, tem como tema ‘Linguagens’. Adoro quando escolhem palavras aleatórias e totalmente subjetivas que podem significar basicamente qualquer coisa. Moda pode ser considerada uma forma de linguagem? Tenho certeza de que pode, sim. Pena que, para mim, é como se fosse russo. E com sotaque em aramaico.

Se eu pudesse escolher uma linguagem para a moda, eu escolheria o braile, aquela leitura feita com as pontas dos dedos. Será que com o tato eu descobriria o que as modelos estão querendo dizer? Tentarei descobrir, mas não sei se os seguranças vão me deixar chegar tão perto. Eu não deixaria.

O primeiro desfile da temporada foi o da Cavalera. E o local foi perfeito para o estilo rock and roll que sempre esteve presente na marca: Galeria do Rock, no centro de São Paulo. Para completar o clima roqueiro, a trilha sonora foi feita pelo baterista Iggor Cavalera, ex-Sepultura, que tocou ao vivo versões percussivas-eletrônicas de clássicos como ‘For Whom The Bells Tolls’, do Metallica, e ‘Sweet Child of Mine’, do Guns ‘N’ Roses. Foi divertido ver modelos e gente fashion andando pelos corredores da Galeria, um lugar predominantemente masculino. Nunca vi tanta mulher na Galeria do Rock. Fica aqui a sugestão: as próprias marcas que já têm lojas poderiam fazer desfiles aos sábados para agitar o local. Pena que não chamaram a Raquel Zimmemann. A top brasileira é a mulher perfeita: linda, toca guitarra e gosta de rock and roll.

O ator Cauã Reymond já desfilou para a Colcci, mas acho que o público feminino está mesmo esperando o desfile do Jesus Luz. Posso ser ingênuo, mas não entendo por que tratam o Jesus Luz como se ele fosse, sei lá, Deus. Eu sei, em terra de apagão, quem tem Jesus Luz é rei. Mas aposto que se ele se chamasse Zé do Breu nem a Madonna ia querer papo.

Gisele Bündchen, infelizmente, não vem porque acaba de ter um filho. Mas acho que isso foi uma desculpa: mesmo grávida de nove meses a Gisele tinha menos barriga que eu – não que isso seja um elogio. Aliás, não é.

No lugar de Gisele, vem a ‘anja’ Alessandra Ambrósio. Além de ser ainda mais bonita, eu e a Alê (olha a intimidade) temos algo em comum: já jantamos juntos. Quer dizer, ela mordeu um pedaço de pizza e o deixou na mesa – eu comi o resto. Tecnicamente, isso é ‘jantar juntos’, não? Eu considero que sim. Pelo menos é o que vou contar para os meus netos.

Se em 2009 tivemos a top britânica Agyness Deyn, agora é a vez da holandesa Lara Stone. Não, ela não é parente da Sharon Stone. Mas eu não reclamaria se ela desse uma cruzada de pernas ao estilo ‘Instinto Selvagem’ no meio do desfile. Sonhar pode, né?

E moda é isso mesmo, sonho. Sei que está meio longe, mas sugiro que esse seja o tema da próxima edição da SPFW Verão: ‘sonho’. Se alguém aceitar minha sugestão, exijo direitos autorais. E já tenho até pronto o título da matéria: ‘Sonhos de uma Noite de Verão’. Mas não se preocupe: mesmo que essa noite esteja muito escura, eu prometo não chamar o Jesus Luz.

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