A guerra dos sexos

Estadão

09 de junho de 2008 | 10h23

hillary

Matthew Cavanaugh/EFE

Sei que o assunto é meio distante, mas devido à extensa (e cansativa) cobertura da mídia, ando acompanhando bem de perto as eleições americanas. E pelo que vi, a disputa entre os pré-candidatos democratas virou uma bela guerra dos sexos, algo que eu não via com tanto interesse desde que Paulo Autran e Fernanda Montenegro jogaram tortas um na cara do outro numa novela das sete que passou há alguns séculos na TV.

De um lado, Barack Obama. Jovem, negro, inteligente. Do outro, Hillary Clinton, mulher, poderosa, ex-primeira dama. Ganhou Obama, o homem. Mas o que isso tem a ver com a gente?

Nada. E tudo. Tudo porque vi comentários interessantíssimos sobre o tema. O primeiro: Hillary teria, na teoria, a preferência do eleitorado masculino branco e rico, a elite americana. Mas, na realidade, muitos não votariam nela porque, com toda aquela pose de mulher auto-suficiente e independente, Hillary lhes traz recordações amargas de suas ex-mulheres. Parece brincadeira, mas não é: os caras realmente responderam isso na pesquisa.

Na semana passada, saiu no Estadão outra matéria que revela muito sobre nosso comportamento. A professora americana Cathy Tinsley apresentou os resultados da seguinte pesquisa, realizada com homens e mulheres:
Dois executivos, um homem e uma mulher. Em determinado momento, ambos têm que escolher entre resolver uma crise no trabalho ou uma emergência familiar. Resultado: As mulheres que ficavam no trabalho resolvendo o problema eram vistas como competentes, mas geravam uma certa antipatia pessoal. Já as mulheres que decidiam ir para casa eram vistas com simpatia, mas não eram ‘confiáveis profissionalmente’. O mais curioso: não importava a decisão, os homens eram sempre vistos como ‘simpáticos e agradáveis’, inclusive pelas mulheres questionadas.

O que isso prova? Não tenho a menor idéia. Mas achei as informações interessantes e quis dividi-las com você. O que mostra uma outra coisa: sempre é possível aprender alguma coisa na vida, até mesmo quando achamos que um assunto não tem nada a ver com a gente.

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