A festa mais louca do mundo

Estadão

06 de novembro de 2009 | 19h13

Lady Gaga

Lady Gaga: Não lembro se a cantora estava no Burning Man, mas a versão remix de ‘Just Dance’ está na minha cabeça até agora

Todo ano, durante uma semana, trinta mil malucos se reúnem no deserto de Nevada, nos Estados Unidos, para se livrar dos maus espíritos. O festival se chama Burning Man e é exatamente isso que eles fazem: queimam um homem. Calma, não é um ritual de magia negra. Numa fogueira gigante, é queimado um boneco que simboliza seu lado negro, seu chefe, sua ex-mulher ou qualquer outra pessoa de quem você queira se livrar.

Como se não bastasse uma semana no meio do deserto, essa turma ainda promove festas para reencontrar o pessoal e comemorar o seu novo ‘eu’. Como já mencionei aqui, acabo de passar um tempo em Nova York. E fui parar numa dessas festas.

Tudo começou quando passei na casa de um amigo brasileiro para tomar umas cervejas. Ele tinha convites e perguntou se eu gostaria de ir à festa. Como isso é o mesmo que perguntar a um leão se ele gostaria de jantar uma zebra, aceitei na hora. Outros amigos começaram a chegar. Como éramos oito pessoas e a festa era longe, em vez de pegar dois táxis fizemos o óbvio: contratamos uma limusine.

Confesso que foi minha primeira vez, e confesso também que pretendo andar de limusine com muito mais frequência. Não sei se existem muitas coisas na vida melhores do que tomar longos goles de champanhe ouvindo rock and roll em uma limusine a caminho de um festão em Nova York.

Chegamos às onze e o local já estava lotado. Só aí é que percebi que a festa era em um hangar, com alguns aviões particulares em volta. Perguntei para o meu amigo por que ele não me avisou que a festa era à fantasia e ele me respondeu simplesmente que vestir roupas loucas e perucas coloridas era algo comum no Burning Man. Algumas pessoas, inclusive, nem se preocuparam com essa besteira toda de roupa e foram bem à vontade… nus.

Além das pistas de dança e das pessoas fazendo tatuagens, havia grupos de flautistas peruanos, corrida de carrinhos de bate-bate, performances de acrobatas do leste europeu, ou seja, tudo aquilo que a gente está acostumado a ver no dia a dia.

Na hora de ir embora, me perdi da turma e tive que pegar o transporte gratuito que levava os convidados da festa de volta para casa. O dia estava nascendo quando um bando de loucos (entre eles, eu) entrou cantando em um ônibus escolar. Percebi então que aquela era a festa mais louca que eu já havia estado em toda a minha vida.

No dia seguinte, mesmo sofrendo com a ressaca e sem saber se tudo aquilo tinha mesmo acontecido, me senti feliz, muito feliz. É incrível, mas parece que essa história toda de se livrar dos maus espíritos funciona.

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