A Copa do Mundo de Carnaval

Estadão

19 Fevereiro 2010 | 18h43

Ellen Roche foi a Rainha da Bateria da Rosas de Ouro, que ganhou o título em São Paulo. Foto de José Patrício/AE

Ellen Roche foi a Rainha da Bateria da Rosas de Ouro, que ganhou o título em São Paulo. Foto de José Patrício/AE

Sei que você não aguenta mais ouvir falar de Carnaval. Eu também não. A diferença é que, provavelmente, você está cansado após uma semana de folia, enquanto eu não aguento ouvir falar de Carnaval há 39 anos, 6 meses e 17 dias.

Nunca contei de onde vem meu trauma para ninguém, mas acho que agora é um bom momento. Tudo começou na minha infância, quando passei o Carnaval em Olinda, perto de Recife. Tenho certeza de que há alguma lei proibindo a presença de crianças em eventos como esse. Se não há, deveria haver. Passei o dia inteiro subindo e descendo ladeiras, em meio a uma multidão de bêbados e odores que não vou lembrar para não estragar seu almoço de domingo. À noite, ainda tive que ver um show do Alceu Valença. Como sempre, há uma boa razão por trás de todo trauma.

Apesar disso, tive uma ideia muito legal para incrementar o Carnaval.

Carnaval e futebol estão cada vez mais próximos, o que pude constatar pessoalmente durante o emocionante desfile da Gaviões da Fiel (sim, eu estava ali a trabalho; há provas na TV Estadão, abaixo). O Brasil é o país do futebol, o Brasil é o país do Carnaval. Por que, então, não criar a Copa do Mundo… de Carnaval?

A primeira edição poderia ser no Rio de Janeiro, já que não sou bairrista. Porém, sem querer criar polêmica, descobri por que o Carnaval do Rio parece sempre mais bonito que o de São Paulo. OK, o Rio tem a tradição, o samba, etc. Mas a questão é puramente arquitetônica: a pista do Sambódromo de São Paulo tem 530 metros de comprimento por 14 de largura. A do Sambódromo do Rio tem 600 por 12. Ou seja: o de SP é mais curto e mais largo; é por isso que você aqueles vazios deprimentes durante o desfile pela TV.

Voltando à Copa do Mundo de Carnaval, seria legal tirar a limpo e ver quem tem o melhor carnaval do mundo. Participariam mascarados de Veneza; fortões da parada gay de São Francisco; dragões e tigres das festas chinesas. E escolas de SP e RJ, blocos de rua de Pernambuco, trios elétricos de Salvador. Tudo isso durante quatro dias, ininterruptos, de loucura e folia. Na quarta-feira de cinzas, os sobreviventes levantariam a taça de Campeão do Mundo e dariam a volta olímpica pela cidade.

Acho que seria bem interessante. Aí, sim, veríamos um desfile de várias culturas dialogando entre si, um aprendizado em que até as crianças sairiam ganhando.

(“Peraí, o cara diz que não gosta de Carnaval e agora sugere a criação de uma Copa do Mundo de Carnaval?”)

Como sempre, há uma razão por trás de toda boa ideia: como a Copa do Mundo, o Carnaval só aconteceria de quatro em quatro anos.

Trechos do desfile da Gaviões da Fiel