A vovó Doris Lessing

Estadão

06 de novembro de 2007 | 17h42

doris

Quando ouvi o nome da vencedora do prêmio Nobel de Literatura, gelei: nunca havia lido nada de Doris Lessing, escritora britânica de 87 anos. Isso caracterizava, diga-se de passagem, uma bela mancha no meu currículo.

(Eu estava torcendo para Philip Roth, mas isso não vem ao caso.)

Adorei, portanto, quando chegou a prova de ‘As Avós’, lançamento recente da Cia. das Letras com um texto de 2003 da autora. Doris (olha a intimidade) foi a 11ª mulher a ganhar o Nobel em 106 anos do prêmio. ‘As Avós’ é um romance curto, de 97 págs., mas encantador. Perturbador, para usar uma palavra mais correta.

(Apesar de o tema ser meio espinhoso, acho que ‘As Avós’ daria uma ótima minissérie de TV. Fica aqui a sugestão.)

É uma pena que não posso contar a história aqui, porque justamente a trama é que transforma este livro aparentemente singelo numa porrada na cara. Só o início: Roz e Lil, duas amigas de infância na casa dos 60 anos, estão numa casa de praia com seus filhos, Tom e Ian, respectivamente, e as netas, Shirley e Alice. De repente, Mary, ex-mulher de Tom, chega e leva as crianças embora. “Vocês nunca mais vão ver suas netas”, grita. Por quê? Você vai ter que ler o livro. Mas eu garanto: prepare-se psicologicamente antes. Doris é uma vovózinha muito safada.

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