Volta às origens
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Volta às origens

Bia Reis

08 Julho 2012 | 08h55

Muitas das histórias que conhecemos são um pouco diferentes na origem. Vocês sabiam que a madrasta tenta matar a Branca de Neve mais de uma vez na versão original dos irmãos Grimm? Em geral, ao longo do tempo, escritores fazem adaptações nos textos para que eles fiquem mais leves. Neste mês, duas histórias em suas versões clássicas chegam às livrarias: além de Branca de Neve, O Patinho Feio. Este é o assunto que trato hoje na reportagem Volta às Origens, no Caderno 2.

A seguir, trechos de Branca de Neve, do texto original dos irmãos Grimm.

Usando esse disfarce, ela viajou além das sete colinas até a casa dos Sete Anões. Ao chegar, bateu à porta e chamou:
– Lindas mercadorias a preços baixos!
Branca de Neve olhou pela janela e disse:
– Bom dia, boa velhinha. O que a senhora tem para vender?
– Coisas boas, coisinhas bonitas – disse a vendedora. – Laços para espartilho em todas as cores – e mostrou uma fita de seda entrelaçada por muitas cores.
“Acho que posso deixar esta boa senhora entrar”, pensou Branca de Neve, que abriu o ferrolho da porta e comprou a linda fita de seda.
– Ah, minha filha, como você é bonita! Venha, deixe-me apertar a fita na sua cintura adequadamente.
Branca de Neve não teve a menor desconfiança. Ficou parada diante da velha e deixou que ela colocasse a fita nova no seu espartilho. A velha apertou o laço tão depressa e com tanta força, que Branca de Neve ficou sem respiração e caiu desmaiada, como se estivesse morta.
– Isso é por ser a mais bela de todas – disse a velha enquanto ia embora bem depressa.

Usando toda a bruxaria de que dispunha, ela criou um pente envenenado. Depois trocou de roupa e se disfarçou de velha outra vez. Ela viajou além das sete colinas até a casa dos Sete Anões, bateu à porta e chamou:
– Lindas mercadorias a preço baixo!
Branca de Neve olhou pela janela e disse:
– Vá pode ao menor dar uma olhada – disse a velha, mostrando o pente envenenado. A criança gostou tanto dele que se deixou enganar e abriu a porta. Assim que combinaram o preço, a velha disse:
– Deixe-me dar uma boa penteada no seu cabelo.
A pobre Branca de Neve não suspeitou de nada e deixou a mulher pentear-lhe os cabelos negros, o veneno fez efeito e a menina caiu no chão sem sentidos.
– Pronto minha belezinha – disse a mulher perversa.
– Agora eu acabei com você!
E saiu às pressas.

E trecho de O Patinho Feio, de Hans Christian Andersen:

À noitinha, chegou a uma modesta casinha de camponeses: a casa era tão miserável que ela mesma não sabia de que lado desabaria, e acabou preferindo se manter de pé. O vento soprava tão forte em volta do patinho que ele teve de voar de costas para resistir. E tudo foi piorando. Então ele percebeu que a porta tinha saído da dobradiça e estava pendurada, de banda: assim ele poderia, pela fresta, se enfiar no casebre. Foi o que fez.
Ali morava uma senhora idosa, com uma galinha e um gato, que ela chamava de Filhinho. O bichano sabia arquear as costas e ronronar, e seus olhos chegavam a lançar chispas, mas para isso era preciso acariciá-lo a contrapelo. A galinha tinha uns pés pequeninos, e por esse motivo a chamavam de Cri-cri-tampinha. Punha muitos ovos, e a mulher gostavga dela como se fosse sua filha.
Pela manhã, logo descobriram o patinho desconhecido. O gato começou a ronronar, e a galinha, a cacarejar.
“O que será isso?”, perguntou a mulher, olhando ao redor. Mas não enxergava muito bem, e pensou que o patinho era uma pata bem gorda que tinha se perdido. “Que boa descoberta”, disse, “vou ter ovos de pata; tomara que não seja um macho! Vamos ver!”