Uma festa para Tatiana Belinky, 50 brasileiras incríveis e o Choque Literário
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Uma festa para Tatiana Belinky, 50 brasileiras incríveis e o Choque Literário

Na semana que passou, a escritora faria 100 anos - e teve festa! Conheça o livro '50 Brasileiras Incríveis - Para Conhecer Antes de Crescer' e o evento de editoras independentes

Bia Reis

22 de março de 2019 | 12h30

Homenagem: Uma festa para a escritora Tatiana Belinky

 

Crédito: Bia Reis

Se estivesse viva, a escritora Tatiana Belinky teria comemorado 100 anos no dia 18 de março, a segunda-feira que passou. Estariam ao seu redor a família, os amigos, os colegas com quem trabalhou, gatos e crianças, muitas crianças. Mas teve festa e lembranças, mesmo sem Tatiana por aqui.

Crédito: Bia Reis

Tatiana nasceu em São Petersburgo, na Rússia, mas veio para o Brasil ainda menina, aos 10 anos, fugida com os pais da guerra que resultou na criação da então União Soviética. Fluente em russo, letão e alemão, a curiosa garota aprendeu português e inglês, cresceu e passou a fazer adaptações, traduções e também a criar peças infantis em parceria com o marido, Júlio Gouveia. Juntos, os dois adaptaram pela primeira vez as histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo, do escritor Monteiro Lobato, para a televisão e fizeram um estrondoso sucesso. Seu trabalho na TV Tupi abriu as portas para sua vida de escritora.

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Trabalhou na TV Cultura, escreveu artigos e crônicas para o Estado, o Jornal da Tarde e a Folha, e começou a publicar seus próprios livros nos anos de 1980. Surgiram então seus famosos limeriques – poemas compostos por duas linhas rimadas grandes, duas linhas rimadas pequenas e uma quinta que rima com as anteriores e pode contradizer tudo o que foi dito. Ao longo da carreira, publicou cerca de cem obras – entre elas Limeriques, O Caso do Bolinho, Coral dos Bichos, O Grande Rabanete e O Espelho (escrevi sobre este último em 2012, para o Caderno 2) – e fez muitos, muitos amigos.

Crédito: Bia Reis

Uma parte deles esteve n’A Casa Tombada, espaço de arte, literatura e cultura em Perdizes, São Paulo, no dia em que Tatiana faria 100 anos, para comemorar e relembrar momentos marcantes. Logo na entrada d’A Casa, o público foi convidado a deixar uma lembrança de Tatiana. Estavam familiares da escritora, colegas e amigos com quem ela trabalhou ao longo da vida, escritores e ilustradores que tiveram contato próximo e também que só a conheceram pelos seus livros, além de leitores e apaixonados por sua obra.

Roteirista de A Menina Trança Rimas, que conta a história de Tatiana, e amigo pessoal, Giba Pedroza relembrou a importância da escritora para a arte brasileira: “Tatiana é a grande mãe de todos nós que trabalhamos com literatura, teatro e cinema”. Alexandre Roit, dos Parlapatões, falou sobre o convívio com Tatiana e Júlio. “O mais tocante – e só percebi isso depois – era o amor incondicional que havia entre eles e pelo teatro. Fui testemunha dessa relação luminosa.”

O escritor Cláudio Fragata contou como conheceu Tatiana: a escritora deixou um recado em sua secretária eletrônica, no trabalho. “Cláudio, você não me conhece, mas eu te conheço. Queria te dizer que você escreve do meu jeito”, gravou Tatiana, para espanto de Cláudio. Os dois se tornaram amigos e Cláudio, com frequência, ganhava limeriques de Tatiana. “Aprendi com ela sobre as crianças e sobre como respeitá-las.”

Crédito: Bia Reis

O escritor Pedro Bandeira também esteve na festa. Destacou que Tatiana e Júlio souberam como ninguém adaptar a obra de Lobato, porque entendiam verdadeiramente a Emília. “Ela não era agressiva, como pareceu muitas vezes depois, mas dizia tudo o que via e pensava. Foi a mais brasileira das brasileiras, apesar de ter nascido em São Petersburgo. Entre os familiares, a bisneta Luciana fez uma homenagem emocionada: “Tive o privilégio de conviver durante 23 anos com Tatiana. Hoje passo na porta da casa onde ela viveu, que está vazia, e o coração aperta. Só tenho a agradecer pelo amor ao teatro e aos livros e pelas lembranças”.

Naquele dia, A Casa ficou cheia. De gente e de amor.

** Todas as fotos são da festa n’A Casa Tombada

Evento 1: Conheça 50 brasileiras incríveis

 

Crédito: Sirlanney/Reprodução

Elis, Zuzu Angel, Clementina de Jesus, Marta, Maria da Penha, Ana Botafogo, Tarsila do Amaral, Carmen Miranda, Elza Soares, Maria Lenke.  E outras, muitas outras. Brasileiras de nascimento ou de coração.

Elas estão no livro 50 Brasileiras Incríveis – Para Conhecer Antes de Crescer, da jornalista e escritora Débora Thomé, lançado em 2017 pela Galera. Como o próprio nome diz, a obra reúne perfis de mulheres com histórias incríveis feitos especialmente para apresentá-las às crianças.

Com um texto solto, gostoso de ler, Débora introduz os leitores no universo dessas brasileiras fantásticas. Conta suas façanhas e resgata detalhes que os aproximam dos meninos e meninas. Você sabia que irmã Dulce, quando pequena, fugia da escola para ir a missa e também para acompanhar seu time de futebol, o Esporte Clube Ipyranga? E que Thaisa Storchi Bergmann montou com uma amiga um laboratório com microscópio para observar coisas tão variadas como sujeira de ralo e mosca? E que Maria Esther Bueno, quem nem ia sozinha para a escola, mas viajou sem a família para os Estados Unidos para jogar tênis?

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Além de artistas, cientistas e esportistas, Débora escreve também sobre mulheres que tiveram atuação ou influenciaram determinadas discussões sociais e políticas no Brasil, como Zuzu Angel, Maria da Penha, Dilma, Carlota Pereira Queirós, Maria Quitéria, Princesa Isabel e Anita Garibaldi.

Cada texto vem acompanhado de uma ilustração, também feita por mulheres. No fim do livro, há folhas em branco e o leitor é convidado a escrever sobre as mulheres que considera incríveis. Uma graça.

Neste fim de semana e no próximo, Débora fará uma tarde com histórias dessas brasileiras incríveis em três unidades da Livraria da Vila. Quem quiser conhecer, é só aparecer!

Crédito: Reprodução

Serviço
50 Brasileiras Incríveis – Para Conhecer Antes de Crescer
Escritora: Débora Thomé
Ilustradoras: Carol Carvalhal, Fran Junqueira, Chiquinha, Jana Magalhães, Eva Oviedo, Julia Lima, Fernanda Nia, Juliana Fiorese, Juliana Rabelo, Sandra Jávera, Laura Athayde, Sirlanney, Manu Bezerra, Mariana Cagnin, Carla Irusta, Mônica Crema e Rafamon.
Editora: Galera
Preço médio: R$ 75

Evento 2: Choque Literário reúne editoras independentes em São Paulo

 

O que cabe em um livro infantil?

Este é o tema da mesa que reunirá as escritoras Cidinha da Silva, Janaína Tokitaka e Nathalia Pontes, com mediação de Rosana Rios, no Choque Literário, o primeiro evento da Coesão Independente, grupo informal que reúne cerca de 50 editoras pequenas e independentes de literatura, quadrinhos e outras publicações impressas.

Idealizada por Cid Vale Ferreira, livreiro do Sebo Clepsidra, a Coesão Independente nasceu com a ideia de juntar editoras, trocar experiências e se ajudar. Cid conta que após criar a Editora Sebo Clepsidra, há um ano, passou a recorrer a colegas editores para buscar informações e tirar dúvidas sobre questões do dia a dia, até que surgiu a dificuldade para participar de uma feira de livros por conta do aluguel.

“A pergunta era: como participar de grandes feiras sendo pequeno? Tinha poucos livros, não adiantaria alugar o espaço sozinho. Pensei, então, nos meus parceiros independentes. E se fizéssemos um grupo para que esses parceiros se ajudassem, fossem representados por uma entidade um pouco maior, e conseguíssemos alugar um espaço desses?”, conta Cid.

Editoras independentes passaram a se reunir. Primeiro 10, 20, agora cerca de 50. Nas reuniões, uma das primeiras pautas que surgiram foi a criação de uma feira própria. Formalizada, a ideia foi levada adiante. Das 50 editoras, cerca de 30 toparam. “Nos reunimos e dividimos o trabalho. Para evitar grandes gastos num momento de crise, as pessoas entram com vontade e organização”, diz Cid. “A lógica da feira é fazer uma interface com o público. A gente não pode ter um país que publique apenas obras extremamente vendáveis. Precisamos olhar para a qualidade. Queremos acolher os pequenos, os ousados, os criativos.”

Em tempos de crise das duas maiores redes de livrarias do País, as editoras independentes venderão seus livros diretamente para os leitores e farão uma série de lançamentos, com sessão de autógrafos – estão previstos cerca de 20. Além de conhecer a produção, o público poderá participar das mesas de debate. Além da sobre o livro infantil (das 11h às 12h), haverá as discussões A Guerra do Tomos – Como a literatura fantástica nacional conquistou seu espaço no Brasil (das 13h às 14h), A Contracultura – Qual o lugar da transgressão nos dias de hoje? (das 15h às 17h) e O Fascínio do Medo – Por que gostamos tanto de escrever, editar e ler horror? (das 17h30 às 18h30). O evento terá ainda uma área com hambúrgueres artesanais e venda de camisetas, ecobags e chaveiros do Choque.

Entre as editoras com produção infantojuvenil presentes estão Jujuba, Pólen, Barbatana e Cartola.

Serviço
Choque Literário
Quando: 6 de abril, sábado,, das 10h às 20h
Onde: Rua Domingos de Moraes, 1581, na Vila Mariana – São Paulo

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