São Paulo 460 anos: exposição retrata a arte contemporânea na literatura infantil
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São Paulo 460 anos: exposição retrata a arte contemporânea na literatura infantil

Bia Reis

24 de janeiro de 2014 | 15h30

Minha querida São Paulo completa amanhã 460 anos com uma extensa programação cultural, com música, teatro, passeios, baladas e exposições. Aproveito a data para recomendar uma dessas exposições: a 1.ª Mostra de Arte Contemporânea em Literatura Infantil (Macli), na Caixa Cultural.

Para muitas crianças, as ilustrações dos livros infantis são o primeiro contato com uma forma de arte visual. Claro que não são todas se encaixam nessa denominação, mas há ilustradores que realmente merecem ser chamados de artistas. “Escolhemos obras que, se isoladas das narrativas literárias para as quais foram originalmente criadas, têm vida própria e conexão com a arte contemporânea”, explica o artista multimídia Favish Tubenchlak, sócio da Galeria Livre, no Jardim Botânico, no Rio, responsável pela curadoria da mostra ao lado de Aline Pereira e Flavia Corpas.

As 70 obras que compõem a 1.ª Macli apresentam técnicas variadas: acrílica sobre tela ou placa de ilustração, óleo sobre madeira, xilogravura, fotografia, escultura e desenho digital. Há trabalhos em que o autor utiliza mais de uma técnica, uma das características da arte contemporânea. Refletem a busca dos artistas por procedimentos, materiais e poéticas próprias.

A exposição foi delineada com base no conceito de estranho familiar, do criador da psicanálise, Sigmund Freud. “É aquilo que você estranha, mas de alguma forma também se identifica”, explica Favish. “É o que causa curiosidade, deslumbramento e também estranhamento.” E o conceito está realmente impresso na mostra, bastam apenas olhos atentos. Da argentina radicada em São Paulo Juliana Bollini, Favish pinçou esculturas e fotomontagens incrivelmente lindas – a imagem que abre esse post, da série Lobo Está? é uma delas. A artista utiliza técnica mista, com papel e sucata, em obras que surpreendem e encantam. “Você reconhece o papelão usado na obra, o que é familiar, mas ele foi transformado em outra coisa, e isso parece estranho”, conta.

A mostra deixa evidente a autonomia que as ilustrações adquiriram ao longo do tempo dentro da literatura infantil. Os autores, muito mais do que ilustrar, também assinam a criação dos livros. E há aqueles que se encarregam tanto da narrativa quanto das ilustrações, como Fernando Vilela, autor de 11 trabalhos expostos. São imagens publicadas no premiadíssimo Lampião & Lancelote (editora Cosac Naify), que narra o encontro entre o famoso cangaceiro do sertão nordestino com um dos cavaleiros medievais da Távola Redonda do Rei Arthur (acima), e de outros dois livros, Caçada (editora Scipione) e Simbá, o Marujo (também da Cosac).

A 1.ª Macli também apresenta obras de Favish, Ofra Amit, de Israel, John Parra (imagem abaixo), dos Estados Unidos, e Renato Moriconi, ilustrador de Telefone sem Fio (Companhia das Letrinhas), em parceria com o escritor Illan Brenman. A íntegra da sequência de ilustrações que compõem Telefone sem Fio encerra a exposição.

A 1.ª Mostra de Arte Contemporânea em Literatura Infantil prova que a chamada literatura infantil, quando feita com qualidade, não é para criança ou para adultos, é para todos. Bom feriado!

Serviço
1.ª Mostra de Arte Contemporânea em Literatura Infantil
Caixa Cultura São Paulo – Praça da Sé, 111, centro
Telefone: (11) 3321-4400
Até 16 de fevereiro de 2014
De terça a domingo, das 9h às 19h

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