Livro é caro? Não há bibliotecas? Por que os moradores de São Paulo não leem
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Livro é caro? Não há bibliotecas? Por que os moradores de São Paulo não leem

Pesquisa sobre hábitos culturais feita pelo Ibope, a pedido da Rede Nossa São Paulo, expõe as razões apontadas pelos moradores da cidade para não ler

Bia Reis

09 de abril de 2019 | 10h00

Biblioteca do Parque Villa-Lobos, um dos equipamentos públicos mais legais de SP
Crédito: Nelson Kon/Divulgação/BPV

Diz o senso comum que no Brasil se lê pouco porque o livro é caro e porque não há bibliotecas por perto. Muitos podem considerar o preço alto e morar em lugares onde não há equipamentos públicos, é verdade, mas esses não são os motivos apontados pelos moradores de São Paulo para não ler. É o que indica pesquisa sobre hábitos culturais na cidade feita pelo Ibope a pedido a Rede Nossa São Paulo. O levantamento, divulgado nesta terça-feira, 9, ouviu 800 pessoas entre 6 e 21 de dezembro de 2018.

Segundo a pesquisa, apenas 3% dizem que não leram nos últimos três meses porque o livro é caro; outro 1% afirmou não ter dinheiro para comprar um. A falta de uma biblioteca por perto é apontada como razão para não ler por 2% dos entrevistados.

As maiores razões para não ter lido um livro são não gostar de ler/não ter o hábito de ler, citado por 34% dos entrevistados, e falta de tempo, por 32% (que é relativa, já que muitos de nós gastamos algumas horas do dia na internet, não é?). Além disso, 9% das pessoas contaram que não têm paciência para ler, o que também indica de alguma forma falta de hábito. Juntos, esses três motivos somam 75%.

São citados também como razão para não ter lido um livro nos últimos três meses o fato de preferir outras atividades (14%), ter dificuldade para ler (6%), se sentir muito cansado para ler (6%), preferir ler revistas e jornais (5%), não ter lugar apropriado para ler (1%) e não saber ler (1%).

O fato é que as pessoas não leem porque não se transformaram em leitores, porque não foram conquistados pelo livro, por inúmeras razões. Quando a leitura é um hábito estabelecido, falta de tempo ou de paciência não são razão para não ler. Afinal, a gente se esforça para arrumar tempo para o que gosta, o que faz sentido, não é?

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Você leu nos últimos três meses?

Perguntados se leram algum livro nos últimos três meses, 38% dos entrevistados responderam que sim, leram um livro inteiro; 20% que sim, leram partes de um livro; e 42% que não. Isso significa que mais da metade dos moradores de São Paulo (58%) tiveram contato com ao menos um livro no período.

Entre os que leram livros completos, o maior porcentual está entre pessoas de 25 a 34 anos (49%), seguido pelas de 16 a 24 anos (43%), de 35 a 44 anos (39%), mais de 55 anos (33%) e de 45 a 54 anos (28%).

A pesquisa reforça a ideia de que pessoas com melhor nível econômico e formação são mais leitoras do que as pessoas com pior nível econômico e formação. Entre os entrevistados com nível superior, por exemplo, 20% afirmaram não ter lido nenhum livro nos últimos três meses – o porcentual sobe para 69% quando se tratam de pessoas que só fizeram o ensino fundamental (1.º a 9.º ano). Entre os entrevistados da classe A, 61% leram um livro inteiro e 18% não leram nenhum; na classe B o porcentual é de 56%, na C, 29%, e na D/E, 10%.

Você frequentou bibliotecas?

Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo
Crédito: Gabriela Biló/Estadão

Questionados se frequentaram alguma biblioteca no último ano, 79% responderam não e 20%, sim (1% não soube opinar). O maior porcentual ficou entre os jovens de 16 a 24 anos: 34% responderam que foram a uma biblioteca no período. A frequência cai conforme a idade avança – entre 25 a 34 anos, 26% responderam sim; entre 35 e 44 anos, 16%; entre 45 e 54, 12%; e mais de 55, 15%.

A pesquisa também aponta que, diferentemente do que muita gente pensa, as bibliotecas são mais frequentadas por pessoas das classes A e B do que C e D. Entre os entrevistados com melhor condição econômica (classe A), 44% disseram ter ido a uma biblioteca nos 12 meses anteriores à pesquisa. O porcentual cai para 28% entre as pessoas da classe B, para 15% entre a classe C e chega a apenas 5% nas classes D e E.

O Ibope também encontrou diferenças entre a frequência de acordo com a região onde a pessoa mora. O centro concentra o maior porcentual de frequentadores: 32% dos entrevistados responderam que foram a uma biblioteca no último ano ante 28% dos moradores da zona oeste, 27% da zona norte, 21% da zona sul e apenas 12% da zona leste.

A pesquisa questionou os moradores de São Paulo sobre o que os fariam frequentar mais espaços culturais. A pergunta não é direcionada às bibliotecas, mas inclui este tipo de equipamento. É curioso observar que se destaca o item “preços mais acessíveis”: 42% dos entrevistados de todas as idades afirmam que frequentariam mais atividades culturais se o preço fosse mais acessível. Nas bibliotecas públicas não há nenhum tipo de cobrança, nem para as atividades nem para a retirada de livros. Entre os outros itens avaliados estão proximidade de casa, facilidade de acesso, horários e diversidade da programação.

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