Para entender o mundo
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Para entender o mundo

Bia Reis

10 de fevereiro de 2014 | 14h50

“Aniversário muda tudo.
Muda a idade e muda a gente.
Teresa fez seis anos e mudou.
Antes, só vivia.
Agora, acha que tem uma missão:
Descobrir o mundo.”

Assim começa Os Mundos de Teresa, de Marcelo Romagnoli e Carlo Giovani, lançamento da Companhia das Letrinhas. É engraçado o que o dia do aniversário representa para as crianças pequenas. É como se elas acordassem maiores, mais espertas, mais rápidas.

Quando li este livro, logo lembrei da música Aniversário, do Palavra Cantada, que também trata da questão. A letra diz:

“Hoje eu sinto que cresci bastante
Hoje eu sinto que estou muito grande
Sinto mesmo que sou um gigante
Do tamanho de um elefante.”

De um dia para o outro, como mágica! Com a Teresa de Romagnoli e Giovani, é assim. Ao fazer 6 anos, a menina quer entender o mundo e, para entendê-lo, é preciso ser, como ela própria diz. Teresa, então, vira um menino, por uma tarde, para descobrir como é usar cueca e fazer xixi de pé.

O narrador, em terceira pessoa, ajuda o leitor a entender a menina: “É que só experimentando a gente entende de verdade. E ela entendeu que assim pode descobrir o mundo inteiro… Sabe por quê? Porque a liberdade em ser o que se quer habita tudo: menino, menina, bicho, ideia, planta e coisa. Habita até o que não existe”. E Teresa passa a experimentar o mundo. Vira bicho, vira planta, trovão, pedra, coisa e brinquedo.

Os Mundos de Teresa mexe com a fantasia da crianças, que vivem brincando de ser outra coisa. Trata também de envelhecimento e perenidade, com poesia.

Ilustrações. As ilustrações são um deleite à parte. Giovani cria movimentos incríveis com a técnica de colagem. Nas páginas em que Teresa vira um trovão, as nuvens têm volume e a menina realmente parece voar. Gosto, em especial, da imagem de Teresa planta, com os pés ficados na terra e formigas e joaninhas grudadas em sua roupa. Tem tatu no solo, minhocas e plantas com raízes.

Giovani conta que o desenho é a base de seu trabalho, mesmo naqueles em que utiliza outras técnicas. “É uma forma de prender as várias possibilidades que ficam passando pela cabeça enquanto pensamos”, diz. Segundo o ilustrador, nem sempre a versão final fica parecida com o desenho inicial. No caso de Os Mundos de Teresa, foi decidido, desde o início, que o trabalho seria feito em papel. “Nem passou pelas nossas cabeças que fosse diferente. Então, parti para pesquisa de formas, cores, etc.”

O maior desafio, explica Giovani, foi fazer “formas simples, sintéticas, sem excessos, mas que tivessem muita expressão e que a luz e a fotografia ajudassem nesse ponto e fosse parte fundamental da ilustração”. Para isso, o autor fez muitas experiências com luz, que nunca haviam sido feitas.”Não há um ponto sequer produzido com outro material ou técnica que não recortes e colagens com papel, luz e sombra. Então, essa limitação fez com que tudo fosse pensado para que funcionasse dentro de uma escala determinada pela possibilidade de trabalho com papel. Todas as texturas, todas as linhas. E, dentro desse universo, as coisas foram se construindo, limitando tamanhos, mostrando suas imperfeições, suas irregularidades. E isso é o que torna as ilustrações vivas, com expressão.”

Atualizada na terça-feira, 11, às 21h24

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