Os 4 livros brasileiros premiados com o selo White Ravens 2019
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Os 4 livros brasileiros premiados com o selo White Ravens 2019

A Biblioteca Internacional da Juventude selecionou 200 livros da literatura infantojuvenil publicados em 37 idiomas e 58 países. No Brasil, autores estreantes e consagrados estão entre os escolhidos

Bia Reis

10 de outubro de 2019 | 16h20

Crédito: Divulgação

Todos os anos, a Biblioteca Internacional da Juventude (International Youth Library, em inglês) seleciona 200 livros publicados ao redor do mundo para premiá-los com o consagrado selo White Ravens. Neste ano, foram escolhidas obras em 37 idiomas, de 58 países – 4 delas do Brasil.

São elas:

A Avó Amarela, de Júlia Medeiros e Elisa Carareto (ÔZé Editora)
Castanha do Pará, de Gidalti Jr. (Sesi-SP)
Clarice, de Roger Mello e Felipe Cavalcante (Global)
Minha Família Enauenê, de Rita Carelli e Annabella López (FTD)

Os livros estão no catálogo que será distribuído na Feira do Livro de Frankfurt, a partir do dia 16, e farão parte da exposição da Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, em março de 2020.

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Capa de ‘Clarice’. Crédito: Bia Reis/Estadão

A seleção feita pela biblioteca conta com participação da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), que envia os livros para a Alemanha.

Os selecionados pela maior biblioteca de literatura infantil e juvenil do mundo também foram premiados aqui no Brasil no Prêmio FNLIJ 2019. A Avó Amarela recebeu a premiação de Escritor Revelação e Ilustrador Revelação e Clarice, nas categorias Jovem / Hors Concours e Ilustrador.  Minha Família Enauenê ficou com o selo Altamente Recomendável na categoria Criança e Castanha do Pará, na categoria Jovem.

Capa de ‘Minha Família Enauenê’. Crédito: Bia Reis/Estadão

Fundada há 70 anos pela jornalista judia Jella Lepman, a Biblioteca Internacional da Juventude cresceu e se estabeleceu como um reconhecido centro que abriga coleções exclusivas e é espaço para pesquisadores de todo o mundo. Dentro da biblioteca nasceu, em 1952, o International Board on Books for Young People (IBBY), que hoje tem seções em mais de 70 países. No Brasil, a FNLIJ é a seção nacional do IBBY.

Somos unidos pelo ideal de Lepman: ser uma ponte de livros de qualidade para todas as crianças e jovens no caminho para a paz.”

Elizabeth Serra, secretária-geral da FNLIJ

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A Avó Amarela

Capa de ‘A Avó Amarela’. Crédito: Bia Reis/Estadão

Das quatro obras escolhidas, tenho predileção especial pelo A Avó Amarela, o belíssimo livro de estreia na literatura infantil da atriz e compositora Júlia Medeiros, do grupo Ponto de Partida, em parceria com a ilustradora Elisa Carareto. Júlia se revelou uma escritora sensível, daquelas que transformam o cotidiano em poesia.

No livro, a autora homenageia a avó Esmeralda, que, aos domingos, acordava antes do dia nascer para ir à feira comprar os ingredientes para o almoço que faria para a família. Nos braços, voltava com um galo dependurado. Ao chegar em casa, matava o bicho.

“Minha avó cometia uma morte aos domingos e aquilo confundia meu amor”, narra. Júlia relembra o cardápio – “para cada filho cozinhava um prato: quibe, macarrão, bacalhau, arroz, feijão batido e inteiro, batata frita, frango assassinado na bacia de alumínio e pernil” -, as sobremesas, o jeito que tarde transcorria, o lanche da tarde e a divisão da comida que sobrava para os filhos.

A beleza do livro está nas palavras que usa, no afeto que transborda. Pra explicar o motivo de a avó não almoçar, Júlia conta: “Dizia que não gostava de comer a própria comida, mas eu sabia que era remorso de mastigar a morte que ela encomendava de véspera e meu coração a perdoava”.

As ilustrações da Elisa Carareto, também estreante na literatura, conversam com o texto e ajudam a construir a narrativa, numa mistura de fotografias e desenhos. O projeto gráfico, lindíssimo, é da querida Raquel Matsushita, designer de mão cheia e escritora. A obra é da Editora ÔZé.

O sorriso de louça inglesa convocava os netos para conferir o resultado do sorteio na televisão. De trás do filtro que ficava no alto, bem no alto, ela tirava um maço de cartelas e repartia entre nós. Apreensivos, torcíamos para que a Avó Amarela – depois de ter pago nos bilhetes o que daria para comprar uma casa de dois andares com piscina, ou talvez até uma Barbie Sonho de Férias – pudesse, enfim, aparecer na televisão.”

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