‘O livro ilustrado chegou a Hollywood’
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‘O livro ilustrado chegou a Hollywood’

'Onde Vivem os Monstros' e 'Jumanji' são exemplos de como este tipo de obra vem ampliando suas relações, diz o pesquisador Fanuel Hanán Díaz, que participa do Congresso Iberoamericano de Língua e Literatura Infantil e Juvenil, no México

Bia Reis

17 de novembro de 2016 | 20h05

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Carola Martínez apresenta o pesquisador Fanuel Hanán Díaz durante o Cilelij. Crédito: Fundación SM México


Para o pesquisador de literatura infantil Fanuel Hanán Díaz, o livro ilustrado é uma evolução das obras feitas para crianças e continua em constante transformação, tendo ampliado suas relações. “O livro ilustrado chegou a Hollywood”, afirma, citando Onde Vivem os Monstros e Jumanji. Autor de Ler na Escola e Uso da Linguagem Cinematográfica na Ilustração de Livros para Crianças, entre outros títulos, o venezuelano foi diretor de avaliação do Banco do Livro e coordenador editorial da revista Parapara. A convite do Congresso Iberoamericano de Língua e Literatura Infantil e Juvenil (Cilelij), realizado de 15 a 17 de novembro, na Cidade do México, Díaz falou no evento sobre a produção do livro ilustrado principalmente nos países de língua espanhola. Confira a seguir trecho da entrevista:

Como você define o livro ilustrado (ou livro álbum, em espanhol)?

Na definição mais clássica, o livro ilustrado é uma categoria particular dentro da literatura infantil, pois nele há uma relação muito próxima, como um casamento, entre texto e imagem, de tal maneira que não é possível compreender a narrativa sem uma leitura conjunta das duas linguagens. É nesta interação que surge a proposta de sentido. Podemos dizer que esta é uma definição bastante clássica, tradicional. Agora, o livro ilustrado tem sido visto em termos um pouco mais complexos, porque se define, como na metáfora do sistema solar, como um ecossistema de sentidos, que inclui, além da interação entre o texto e a imagem, também a relação (das duas linguagens) com o livro como objeto físico. Isso abrange seu formato, conceito editorial, guarda, tipografia e todos os elementos que de alguma forma compõem a obra e ajudam a criar sentido. Há, por exemplo, livros que tratam de personagens minúsculos, como formigas, e para isso se utiliza uma tipografia pequena. Então a tipografia constrói o sentido também. Cada elemento é como um afluente de um grande rio, que, juntos, dão forma e significado ao livro ilustrado.

Por que você vê o livro ilustrado como uma evolução na literatura?

Desde 1658, quando surgiu o primeiro livro para crianças, o Orbitus Pictus, dois elementos fundamentais se desenvolveram. No início, a imagem era muito ornamental. Para que ela ganhasse a autonomia que tem hoje, tiveram de se passar 250 anos. A imagem, então, se desenvolveu, evoluiu nesta relação com o texto. Outra mudança ocorreu em relação ao formato físico, que incluem sua forma, suas cores, novas técnicas de reprodução, novos tipos de papel. Por isso que vejo o livro ilustrado como uma evolução dentro da literatura infantil. O livro ilustrado vem ampliando suas relações e vemos hoje filmes que nascem dessas obras, como Onde Vivem os Monstros (de Maurice Sendak) e Jumanji (de Chris Van Allsburg). O livro ilustrado chegou a Hollywood.

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Abaixo, ilustração de Maurice Sendak para ‘Onde Vivem os Monstros’. Crédito: Reprodução

Acima, cena do filme ‘Onde Vivem os Monstros’, dirigido por Spike Jonze. Crédito: Reprodução
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Com base no que é produzido atualmente, é possível vislumbrar o futuro deste objeto livro ilustrado?

Acredito que sim. É interessante o que o livro ilustrado propõe como categoria porque uma de suas características é que está em construção permanente. Digo isso porque cada vez mais ele absorve novos discursos, como a linguagem da arte e a cinematográfica. Outra mudança é que as narrativas não são mais apenas lineares. Há uma narrativa temporal, do texto, convivendo com uma narrativa espacial. Vemos livros em que, por exemplo, parte da história é contada pelo texto e parte pelas imagens, de forma alternada. Também existem muitas ideias criativas que podem transformar o livro físico, como tintas especiais e lentes para ver as histórias. Há muitas coisas que ainda podem ser incorporadas.

O Congresso Iberoamericano de Língua e Literatura Infantil e Juvenil tem como eixo a discussão do testemunhal, do fantástico e do simbólico na literatura para crianças e jovens. No primeiro dia, a discussão foi em torno do testemunhal. Clique aqui para conferir.

** A jornalista Bia Reis viajou a convite da Fundação SM