O dia em que Ovídio literalmente perdeu a cabeça
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O dia em que Ovídio literalmente perdeu a cabeça

Índigo e Bruno Nunes lançam na Bienal livro que conta a história de um menino que se divide em dois, cheia de terror e humor

Bia Reis

25 de agosto de 2014 | 11h58

A narradora avisa logo na primeira página: a história Meu Amigo Ovídio, lançamento da editora SM na Bienal, é um pouco assustadora, talvez você, leitor, tenha dificuldade para dormir à noite. E conta que ela própria costuma acordar aos berros quando sonha com o que aconteceu naquela noite e só se acalma depois de levar as mãos à cabeça e verificar que está tudo em ordem.

Era uma festa de aniversário em um bosque. Entre os meninos e as meninas que brincavam estavam Ovídio, um garoto com fama de ser cabeça avoada: esquecia as coisas por aí e, às vezes, esquecia-se de si mesmo. Apesar do aviso para não chegar perto do penhasco, Ovídio vai até o local e sofre um acidente.

Corpo para um lado, cabeça para o outro. Lá estava Ovídio separado, mas ele não quis parar de brincar. Depois pegaria a cabeça, pensou. Foi apenas ao chegar em casa e ouvir a mãe mandá-lo escovar os dentes que ele se sentiu desorientado. Sentou-se na cama e, exausto, adormeceu.

No bosque, Ovídio estava apreensivo: não conseguir pregar os olhos e nunca havia ficado tanto tempo parado no mesmo lugar. Achou que a sensação pudesse ser a chegada a puberdade – já havia ouvido falar disso em um programa. Começa então a gritar, a falar com anjos, achou que estivesse morto. Depois pensou que pudesse ser o inferno e ficou quieto.

A partir dai, o escritor Índigo desenvolve duas histórias paralelas, com dois Ovídios independentes: o “cabeça” e o “corpo”. As ilustrações de Bruno Nunes, em que imperam os tons mais apagados, são fundamentais para o leitor entender de qual Ovídio o texto está falando. Nunes acrescenta informações à história de Índigo com um traço que explora o jogo entre o terror e o cômico, que domina o livro.

A mãe, a professora e os amigos encaram a falta da cabeça do personagem com naturalidade, respeitando os limites que surgem nos dois Ovídios com a separação cabeça-corpo. Há questionamentos sobre autonomia e sobre os ideais de sucesso e fracasso.

Serviço
Meu Amigo Ovídio
Escritor: Índigo
Ilustrador: Bruno Nunes
Editora: SM
Preço: R$ 42 (capa dura)

23.ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
De 22 a 31 de agosto de 2014
Pavilhão de Exposições do Anhembi (Av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana)
Horário de visitação: de segunda a sexta-feira, das 9h às 22h (com entrada até as 21h); sábados e domingos, das 10h às 22h (com entrada até as 21h)
Ingressos: R$ 12 (segunda, terça, quarta e quinta) e R$ 14 (sexta, sábado e domingo)

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