O dia em que o escritor Augusto Pêssoa se encontrou com seus leitores
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O dia em que o escritor Augusto Pêssoa se encontrou com seus leitores

Visita a escola da rede pública de Paraty que estudou obra do autor faz parte da programação educativa da Flipinha

Bia Reis

06 de agosto de 2014 | 18h29

Fazia mais de uma hora que o barco havia saído do cais de Paraty, no litoral do Rio de Janeiro, quando avistamos a Escola Municipal João Apolônio dos Santos Pádua, em Ponta Grossa. Ainda à distância, também vimos as crianças, vestidas como se fossem personagens saídos de um livro. E eram.

O barco, que transportava pessoas de vários locais do Brasil envolvidas com bibliotecas comunitárias e escolares, levava também o escritor Augusto Pêssoa, autor de 14 livros, um dos convidados da Flipinha deste ano. No primeiro semestre, aquelas crianças haviam se debruçado sobre a obra do autor e a sua história. Mesmo sem conhecer Pêssoa, se sentiam íntimos do escritor.

O grupo desembarcou e os alunos começaram a se aproximar. Orgulhosos, queriam mostrar para Pêssoa os painéis e trabalhos que haviam feito, seus desenhos, seus escritos, as histórias que haviam nascido de suas histórias. Emocionado, o escritor devolvia o carinho. Visitou todos os espaços, ouviu as explicações, contou histórias, mas também ouviu outras, sentou para desenhar com as crianças.

A escola visitada parecia saída de um filme ou de um sonho. O acesso é difícil – chega-se ao local apenas de barco. Fica em uma pequena praia, de frente para o mar, cercada por muito verde. Em meio à natureza, na parte externa, há um parquinho e uma grande mesa de madeira. Por dentro a escola é pequena, afinal, apenas 19 meninos e meninas estudam lá. Eles se dividem em duas salas multiseriadas: uma reúne os alunos do 1º ao 3º ano do ensino fundamental e a outra, os do 4º e 5º anos.

O encontro de autores de livros infantis e juvenis e seus leitores integra a programação da Flipinha, parte educativa da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que é organizada pela Associação Casa Azul. A ideia é que a literatura ganhe destaque nas escolas da cidade não apenas durante o evento. “Trabalhamos pelo desenvolvimento de uma cidade leitora. E isso não se faz somente durante a Flip, mas ao longo do ano”, afirma Volnei Canônica, coordenador do programa Prazer em Ler, do Instituto C&A, parceiro da Casa Azul.

Após a escolha dos autores que serão convidados para a Flipinha, a organização produz um manual sobre os escritores e ilustradores, que é enviado para as escolas. A partir dai, as professores iniciam uma série de atividades para que os alunos descubram os autores, leiam suas obras e se preparem para recebê-los.

“Parece que as crianças é que ficarão marcadas pelo encontro, mas, na verdade, quem ficará sou eu”, contou Pêssoa, no fim da visita. “É incrível ver essa resposta direta. Tem coisa melhor do que ouvir de uma criança que agora ela sonha em ser escritora?”

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