Monteiro Lobato no STF
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Monteiro Lobato no STF

Bia Reis

12 de setembro de 2012 | 15h32

O livro Caçadas de Pedrinho, do escritor Monteiro Lobato (1882-1948), é racista? E, se for classificado desta maneira, deve ser utilizado pelas escolas brasileiras?

A polêmica discussão, que voltou à tona com um mandato de segurança protocolado pelo Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara), entidade de defesa do direito dos negros, chegou ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 2010, o Conselho Nacional de Educação (CNE) emitiu um parecer classificando o livro de racista. O Ministério da Educação (MEC) vetou o parecer, mas, mesmo assim, alguns Estados, como Mato Grosso e Paraíba, tiraram o livro do currículo escolar. O mandato de segurança do Iara foi uma reação ao veto do MEC. Caçadas de Pedrinho integra o acervo do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) e foi distribuído pela última vez em larga escala para as escolas brasileiras em 2003. O livro fazia parte da coleção indicada para alunos dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio.

A audiência de conciliação realizada ontem no STF, com a participação de representantes do MEC e do Iara, não foi conclusiva. Ficou acertado um novo encontro, no dia 25, para discutir a implementação de medidas, como o treinamento dos professores que utilizam a obra de Lobato em suas aulas.

O livro, publicado em 1933, narra uma expedição da turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo em busca de uma onça-pintada. Os personagens encontram um rinoceronte falante e decidem levá-lo para o sítio. Na história, há passagens em que Tia Nastácia, que é negra, é trata de forma considerada ofensiva:

“Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou,
que nem uma macaca de carvão.”

“É guerra e das boas. Não vai escapar ninguém – nem Tia Nastácia,
que tem carne preta.”

A obra de Lobato foi lida por várias gerações de crianças brasileiras e adotada por milhares de escolas ao longo dos anos. Vocês acham que essas crianças se tornaram adultos piores por terem tido acesso ao livro? Seu conteúdo pode causar danos ao leitor? Eu acredito que é papel da escola e do professor (e dos pais) explicar o contexto em que determinada obra foi escrita e colocar, sim, a questão do racismo em debate. Não é escondendo livros que teremos uma sociedade mais justa e livre de preconceitos. E vocês, o que acham?

 

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