Escritores narram seus rios da infância e do afeto
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Escritores narram seus rios da infância e do afeto

Maria José Silveira selecionou autores que tivessem "vozes bem diferentes, mas que formassem uma coletânea harmoniosa". Entre eles estão Marcelino Freire e Moacyr Scliar

Bia Reis

21 de agosto de 2014 | 11h40

“Mais do que maravilhas da natureza, os rios têm tudo a ver com nossa cultura, nossa história e nosso afeto.”

É assim que a escritora Maria José Silveira apresenta o livro Entre Rios, lançamento da editora FTD, que reúne textos de sete escritores, entre eles Marcelino Freire, Moacyr Scliar e a própria Maria José, sobre rios brasileiros. Cada um escreveu sobre o rio de sua infância, de sua região ou com o qual se identifica.

A ideia de falar sobre os rios e sua importância para a construção do Brasil como nação partiu de Maria José. “Os rios foram fundamentais para o desenvolvimento do País e da cultura brasileira. Nosso interior foi descoberto pelos bandeirantes, por meio desses rios que têm características tão variadas”, relata.

Em conversas com a editora, Maria José selecionou escritores que tivessem “vozes bem diferentes, mas que formassem uma coletânea harmoniosa”, explica. Domingos Pellegrini se apropria do Rio Paraná para contar o momento em que um menino vai, com a mãe, ao encontro do pai. Índigo relata a surreal história do enterro do Rio Tietê, que morre sufocado em seu próprio esgoto. Tendo o Rio Parnaíba como pano de fundo, Marcelino Freire fala sobre a alma humana, partidas e chegadas, amores e angústias. Márcio Souza se debruça sobre um lado pouco conhecido do Rio Solimões – seu uso para esportes radicais – sem deixar de lado a tradicional lenda do Curupira. Maria Valéria Rezende se apodera do Rio Solimões e cria uma aventura em um trecho condenado pela construção da hidrelétrica de Itaparica. Moacyr Scliar mergulha no Rio de sua infância, o Guaíba, “que não é rio, mas é como se fosse”. Já Maria José Silveira escreve uma carta sobre os mistérios e a força do Rio Araguaia, que conheceu ainda criança, quando frequentava as suas margens.

Como se já não bastassem os textos, o livro tem uma caprichosa edição, com desenhos do premiado Roger Mello, que neste ano trouxe para o Brasil o Prêmio Hans Christian Andersen de ilustração, espécie de Nobel da literatura infanto-juvenil, em Bolonha (clique aqui para ler). Em páginas azuis, marrons e verdes, Mello recria os rios logo no início da edição e mergulha em cada um deles no decorrer dos textos. A capa também é incrível: recortada, vazada.

O livro é sugerido para jovens – vem com um suplemento de leitura para o estudante -, mas agradará certamente leitores das mais variadas idades e interesses, rompendo as barreiras que supostamente definem o que é literatura juvenil e adulta.

Serviço
Entre Rios
Organização: Maria José Silveira
Textos de: Domingos Pellegrini, Índigo, Marcelino Freire, Márcio Souza, Maria José Silveira, Maria Valéria Rezende e Moacyr Scliar
Editora: FTD
Preço: R$ 44

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