Em ‘A Divina Jogada’, Dante assiste a futebol no inferno, no purgatório e no paraíso
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Em ‘A Divina Jogada’, Dante assiste a futebol no inferno, no purgatório e no paraíso

José Santos e Eloar Guazzelli homenageiam o poeta italiano em um livro bem humorado que narra o embate do bem contra o mal

Bia Reis

20 de agosto de 2015 | 09h14

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De um lado do campo estão Judas, Centauro, Farrabás e Minotauro e do outro, Arcanjo Gabriel, Rei Davi, Adão e Moisés. Os poetas Dante e Virgílio chegam ao Inferno no meio da partida, que termina empatada: time dos encapetados 0 x 0 seleção celestial. Mas ainda faltam dois jogos para a decisão do Grão Campeonato – uma ocorrerá no Purgatório e a outra, no Paraíso. Assim começa o delicioso A Divina Jogada, do escritor José Santos e do ilustrador Eloar Guazzelli, recém-lançado pela editora Nós.

Inferno

Inferno

O livro homenageia o poeta italiano Dante Alighieri, autor de A Divina Comédia, cujo nascimento completa 750 anos em 2015. Para esta releitura de A Divina Comédia, Santos criou estrofes com três versos decassílabos e a rima marcada nas últimas palavras do primeiro e do terceiro versos.

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Com essa estrutura, o autor narra as três partidas de futebol, realizadas em três estádios com características diferentes – cada uma compõem um capítulo do livro, tal qual como na obra original. Nas duas primeiras, Virgílio conduz Dante; na terceira; Beatriz, amada de Dante, tem um papel especial. O resultado do campeonato e o desfecho, claro, são surpresa.

Purgatório

Purgatório

Às referências de personagens bíblicos e da mitologia somam-se aspectos da cultura popular. O leitor se divertirá com as descrições: serafins comem biscoito de polvilho, torcedores cantam pagode, um capeta tem sotaque paulista. Mas tudo parece fazer sentido.

O projeto gráfico e as ilustrações de Guazzelli transformaram o livro em uma obra de arte. Para este trabalho, ele usou nanquim e aguada – uma técnica semelhante à aquarela, mas com apenas uma cor, que varia conforme a história avança. No Inferno há o predomínio do marrom, no Purgatório, do marrom e do azul (aqui, mais suave) e no Paraíso, de azul (mais intenso). Como descreve Guazzelli, a cor entrou como elemento narrativo, demarcando os espaços. O livro tem capa dura, papel especial e um formato diferenciado.

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A Divina Jogada é o primeiro infantojuvenil da recém-criada editora Nós, de Simone Paulino, que chegou ao mercado com a intenção, entre outras, de interferir na formação de jovens leitores, colocando-os em contato com os clássicos por meio de releituras contemporâneas.

Santos e Guazzelli já estiveram nesta Estante de Letrinhas, com Futebolíada, livro que também resgata um texto clássico e faz associações com o universo do futebol.

Serviço
A Divina Jogada
Escritor: José Santos
Ilustrador: Eloar Guazzelli
Editora: Nós
Preço: R$ 40 (capa dura)

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