Descoberta reais
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Descoberta reais

Bia Reis

19 de agosto de 2012 | 08h00

Os livros da escritora Ana Maria Machado – A Princesa Que Escolhia e O Príncipe Que Bocejava, relançados pela Alfaguara – são o tema da matéria que publico hoje no Caderno 2.

Abaixo, trecho da entrevista que fiz com Ana Maria, uma das mais importantes escritoras do Brasil:

Quando a senhora era criança, como funcionava na sua casa esta questão da escolha?

Nós éramos nove irmãos, então havia muitas opiniões diferentes e aprendíamos a respeitá-las. Meus pais eram considerados bastante liberais para a época e a maioria de meus amigos dizia que tinha inveja da liberdade que nós tínhamos, principalmente porque conversávamos muito com eles, sobre tudo. Mas eles eram também muito presentes, nós tínhamos limites claros e não nos parecia na época que a margem de escolha fosse muito grande. Porém sempre podíamos tentar ampliá-la, por meio de conversa e argumentação. Muitas vezes funcionava. Outras, não.

Quais são as diferenças de assuntos e interesses das crianças que a senhora vivenciou ao longo dos anos como escritora? Em que as crianças de hoje em dia são diferentes?

Sou incapaz de responder a essa pergunta. Tendo a achar que não são diferentes em nada, mas iguaizinhas. O que todo leitor quer, independente de idade, é ampliar seus horizontes, vivenciar experiências novas a partir de seus próprios medos, sonhos, desejos, aflições, carências. E que isso seja feito de uma forma instigante, divertida, inteligente, que dê prazer na descoberta dos outros ou na constatação das semelhanças do personagem consigo mesmo. As circunstâncias podem mudar, e mudam. Mas na profundidade os temas são os mesmos : medo do abandono, vontade de crescer, sede de justiça, ânsia de liberdade, enfrentamento do poder, exploração do que cada um tem de único, compreensão do que todos temos em comum, etc.