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Cordel para crianças

Bia Reis

17 de maio de 2013 | 17h06

“Os cavaleiros andantes
Contra o mal moviam guerra,
Por isso são conhecidos
Nos quatro cantos da Terra,
Como aquele a quem chamavam
De Palmeirim de Inglaterra.”
Palmeirim de Inglaterra

De origem portuguesa, a literatura de cordel, ou folhetos de cordel, ganhou força e se consagrou no Brasil na Região Nordeste. Tipo de poesia narrativa e popular, escrita em versos rimados e metrificados, esse tipo de texto era geralmente impresso em papel jornal.

Considerado uma espécie de elo vivo entre a história dos trovadores europeus e a contemporânea, o cordel normalmente resgata narrativas de reinos encantados, cavaleiros e dragões. Mas a temática dos textos mais recentes é mais ampla – há histórias sobre Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau e sobre o Coelho e o Jabuti (veja abaixo alguns títulos lançados recentemente).

Especialistas consideram O Menino Que Viajou Num Cometa, do poeta Raimundo Santa Helena, nascido em 1926 na Paraíba, o primeiro cordel escrito para crianças. Publicado em folhetos, virou livro apenas em 2003.

O cordelista Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, descobriu o apelo que esse tipo de texto tinha com as crianças em 1989, quando escreveu a Lenda do Saci Pererê. “Percebi com surpresa, quando colocava meus folhetos na banca em São Cristovão, que o Saci Pererê vendia tanto quanto textos de humor.”

Para o escritor Arievaldo Viana, autor de mais de cem títulos de cordel tradicional, é principalmente a linguagem simples, acessível, que tanto atrai. “A leitura é agradável e tem um ritmo único.”

No Brasil, a produção de cordel para crianças despontou para o grande público quando o Plano Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), do Ministério da Educação (MEC), incluiu, entre os gêneros de interesse, o cordel. A decisão foi um incentivo para as editoras apostarem no formato, beneficiando escritores, ilustradores e, claro, os leitores. “A iniciativa do governo teve forte influência”, conta Laura Van Boekel, editora da Escrita Fina, que publicou seis livros em cordel para crianças entre 2011 e 2012. “O cordel é uma manifestação popular nossa. Estamos trazendo algo que fala do povo brasileiro, nas nossas raízes”, diz Laura.

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