Conta outra, vovó
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Conta outra, vovó

Bia Reis

24 de junho de 2012 | 10h00

Hoje, no Caderno 2, a escritora Flávia Savary fala sobre tradição oral e seu lançamento De Carona na Carochinha, em que reconta com muito humor sete histórias do arco-da-velha. Abaixo, Flávia fala como os pais podem incentivar a leitura desde cedo.

Que receita você dá para os pais que querem incentivar que os filhos leiam desde pequenos?
Primeiro, os pais têm de olhar para si próprios. Eles querem que as crianças leiam, mas, muitas vezes, eles próprios não leem. É uma imagem muito forte você ver seu pai e a sua mãe fazendo alguma coisa. Tem muita gente que vê a mãe, a madrinha, uma tia cozinhando e, por isso, se interessa pela gastronomia. A leitura pode se encaixar com qualquer outro projeto, com qualquer outra coisa que a pessoa queira fazer. O Moacir Scliar, por exemplo, era um médico sanitarista muito dedicado à sua profissão e um escritor maravilhoso. Por isso, acho que não tem desculpa para não incluir o cardápio da literatura no dia a dia. Você pode ser qualquer coisa e se tornar um leitor. Não estou falando só de literatura, estou falando de ler o mundo. O mundo demanda leitura, as relações demandam leitura. E a literatura te habilita para isso. É preciso, então, que os pais se imbuam disso.

E as crianças que estão aprendendo a ler?
Os pais que têm crianças que estão começando a dominar a questão do letramento devem fazer a passagem juntos, porque é muito prazeroso. E isso faz a criança ter uma associação afetiva com o livro, a aproxima dos pais. A criança com o tempo vai construindo o seu próprio caminho, vai ganhando autonomia para fazer as suas próprias escolhas. Esse processo não compete só à escola, é realmente um projeto de parceria. Como a educação é um projeto de parceria. Os pais não podem terceirizar os filhos nas questões que lhes competem.

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