Brasil indica Marina Colasanti e Ciça Fittipaldi para o ‘Nobel’ da literatura infantil
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Brasil indica Marina Colasanti e Ciça Fittipaldi para o ‘Nobel’ da literatura infantil

Três brasileiros já venceram o Prêmio Hans Christian Andersen: as escritoras Ana Maria Machado e Lygia Bojunga e o ilustrador Roger Mello

Bia Reis

17 de novembro de 2016 | 14h24

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Marina Colasanti (à esq) e Ciça Fittipaldi. Crédito: Estadão e Acervo Pessoal

A escritora Marina Colasanti e a ilustradora Ciça Fittipaldi são as concorrentes brasileiras ao Prêmio Hans Christian Andersen de 2017, considerado o Nobel da literatura infantil e juvenil. Esta é a segunda vez que Marina e Ciça são indicadas pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) ao International Board on Books for Young People (IBBY), responsável pela premiação.

Além de fazer a indicação, a FNLIJ também prepara o dossiê das candidaturas, que é enviado aos membros do júri, ao IBBY central e à presidência da entidade para avaliação. Neste material digital, elaborado em conjunto com os autores indicados, há os cinco principais livros da carreira do escritor ou ilustrador, biografia, prêmios conquistados, teses feitas com base no trabalho. A FNLIJ também envia três exemplares físicos de cada obra, que são analisados pelos jurados se os indicados forem finalistas da premiação.

O Brasil tem três Hans Christian Andersen: duas vezes na categoria texto, com Lygia Bojunga, em 1982, e Ana Maria Machado, em 2000, e uma vez na categoria ilustração, com Roger Mello, em 2014. Com Roger, o prêmio na categoria ilustração saiu pela primeira vez do hemisfério norte.

As autoras

A vida da ítalo-brasileira Marina Colasanti sempre esteve ligada ao texto. Ela começou sua carreira no jornalismo em 1962, no extinto Jornal do Brasil, e trabalhou em uma série de publicações, como as revistas Nova e Manchete. De 1975 a 1982, foi redatora publicitária; passou ainda pela televisão. Paralelamente, desenvolveu seu trabalho nas artes plásticas, tendo feito uma série de exposições individuais.

Entrou no mundo da literatura nos anos 60, com Eu Sozinha, e desde então escreve para leitores de todas as idades. Seus livros conquistaram os mais importantes prêmios da literatura brasileira, entre eles inúmeros Jabutis – Entre a Espada e a Rosa (1993), Rota de Colisão (1994), Ana Z., Aonde Você Vai? (1994), Eu Sei Mas Não Devia (1997), Passageira em Trânsito (2010), Antes de Virar Gigante (2011) e Breve História de Um Pequeno Amor (2014), que foi escolhido como o melhor infantil e o melhor livro ano (categoria em que concorreu com obras para crianças, jovens e adultos). Seus livros receberam selos altamente recomendável da FNLIJ e integram a prestigiosa lista do IBBY Honour.

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Ilustração de Ciça para ‘Quem Tem Medo de Mapinguary’, em parceria com Vássia Silveira. Crédito: Reprodução 

Paulistana, Ciça Fittipaldi também tem uma longa carreira na literatura, desenvolvida por meio das imagens. Estudou desenho e artes plásticas na década de 70 e é professora da Universidade Federal de Goiás desde 1993. Pesquisadora, Ciça tem especial predileção pela arte indígena e afro-brasileira, das quais é profunda conhecedora. Como Marina, coleciona uma série de importantes premiações, como o da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), pela série Morená (1986); e Jabutis, pela série Bichos da África (1988), Tucunaré (1990) e Naninquiá, a Menina Bonita (2014), além de selos da FNLIJ.

Como artista plástica, participou da Bienal de Ilustração da Bratislava (1985 e 1987), da Bienal Internacional de São Paulo (1988) e da mostra Linhas de História – Panorama do Livro Ilustrado no Brasil (2011), entre outras exposições. Ciça já esteve outras vezes nesta Estante de Letrinhas, com Bibliotecas do Mundo e em um post sobre os ilustradores selecionados para Bolonha

A premiação

O prêmio Hans Christian Andersen é entregue a cada dois anos na Feira do Livro de Bolonha, na Itália, que ocorrerá no ano que vem entre 3 e 6 de abril. Na última edição, os vencedores foram o escritor chinês Cao Xenxuan e a ilustradora alemã Rotraut Susanne Berner. Sobre a importância da premiação, a secretária-geral da FNLIJ, Elizabeth Serra, explica que a literatura de um país passa a ser vista sob outra perspectiva. “Além disso, o autor alcança um outro reconhecimento, dentro e fora do país, e o mercado se abre. Repercute ainda entre os escritores e ilustradores que estão surgindo.”

A indicação de Ciça e Marina foi tema da coluna Estante de Letrinhas na Rádio Estadão de 22 de novembro. Quer ouvir?

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