Bibliotecas e salas de leitura melhoram o desempenho dos alunos?
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Bibliotecas e salas de leitura melhoram o desempenho dos alunos?

Para responder à questão, Instituto Pró-Livro (IPL) ouviu 500 escolas públicas que atendem crianças do ensino fundamental em 17 Estados brasileiros; estudo foi desenvolvido pelo Insper e aplicado em campo pela OPE Sociais

Bia Reis

03 de maio de 2019 | 07h00

Crédito: Bia Reis/Estadão

“Com certeza dá para diferenciar os alunos leitores dos alunos não leitores. Os leitores têm memória visual, organização frasal, melhor ortografia e um repertório diferente”, afirma a professora de Português Miquelina Bernarda Veiga, de 56 anos. Miquelina trabalha há oito anos em uma sala de leitura em uma escola da Prefeitura de São Paulo no Parque São Lucas, zona leste da capital. “A experiência da sala de leitura para os pequenos é muito legal. Eles estão num ambiente de alfabetização, numa sala de cheia de livros, é sempre um deslumbre.”

A percepção da professora paulistana foi confirmada pela recém-divulgada Pesquisa Retratos da Leitura – Bibliotecas Escolares, desenvolvida pelo Insper e aplicada pelo OPE Sociais a pedido do Instituto Pró-Livro (IPL), que avaliou o impacto da biblioteca escolar ou sala de leitura no desempenho dos alunos. O estudo foi realizado no ano passado em 500 escolas públicas, estaduais e municipais, que atendem crianças do fundamental 1 (1.º ao 5.º ano) em 17 Estados brasileiros.

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Os entrevistados – (1) gestores ou diretores das escolas, (2) bibliotecários ou responsáveis pelas bibliotecas ou salas de leitura e (3) professores, principalmente de Português – responderam 60 questões feitas pelos pesquisadores. Aqui, o objetivo era avaliar a percepção desses três grupos sobre o impacto da biblioteca ou sala de leitura, e não avaliar in loco a estrutura física ou o acervo.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores cruzaram as respostas dadas pelos três grupos entrevistados com os resultados obtidos pelas escolas em avaliações federais como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e a Prova Brasil.

“A pesquisa aponta relação entre a existência de bibliotecas e salas de leitura e um melhor desempenho escolar em Português e Matemática no ensino fundamental – e esta relação é mais forte quanto mais vulnerável for a região onde a escola está inserida”, afirma Zoara Failla, coordenadora do estudo no IPL. A diferença de performance da melhor e da pior escola em Português, por exemplo, foi de 5 pontos no Saeb, pontuação considerada expressiva pelos pesquisadores.

Também foram constatadas relações positivas entre o desempenho dos estudantes e o acervo, o atendimento na biblioteca ou sala de leitura, e a realização de atividades integradas ao currículo escolar e extracurricular.

“Quanto mais alta a qualidade do equipamento – quanto mais ele opera no que imaginamos ser alto padrão -, melhor é o desempenho da escola”, diz Sérgio Firpe, professor de Economia do Insper responsável pela pesquisa. “E, mais uma vez, quanto mais vulnerável é a região onde a escola está inserida, maior a diferença que a biblioteca ou sala de leitura faz. Um pai com baixa escolaridade possivelmente não vai ler para seus filhos, porque possivelmente é analfabeto, diferentemente do que ocorre com uma família com outros recursos”, afirma.

Conheça no vídeo abaixo, do governo de São Paulo, a experiência da E.E. Prof.ª Maria Ribeiro Guimarães Bueno:

Dos itens avaliados, o que mais influenciou o desempenho, segundo Sérgio, foi o atendimento feito na biblioteca ou sala de leitura. Ou seja, faz muita diferença ter apenas um espaço com livros e ter o espaço com um profissional qualificado para atender os alunos, sugerir títulos e propor atividades.

É o que ocorre na sala de leitura da escola do Parque São Lucas. Lá, Miquelina seleciona títulos para leitura compartilhada com seus alunos, faz dramatizações e propõe brincadeiras – com o foco sempre nas obras. “Escolho os livros e faço a mediação, e muitas vezes o livro que escolhi é o que as crianças querem levar para a casa, para repetir a experiência. Querem ter acesso ao que eu li. Conforme vão crescendo, elas passam a fazer suas próprias escolhas. Na faixa dos 10, 12 anos, muitos se afastam da leitura, mas boa parte já desenvolveu o comportamento leitor”, comemora Miquelina.

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