A literatura nonsense e os limeriques do inglês Edward Lear
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A literatura nonsense e os limeriques do inglês Edward Lear

Em ‘Conversando com Varejeiras Azuis’, leitor conhecerá a prosa, a poesia e os desenhos de um dos pais da literatura do absurdo

Bia Reis

22 de agosto de 2016 | 16h17

conversando-com-varejeiras-azuis

Água do mar que vira manteiga, crianças que dormem dentro de uma chaleira, peixes que ganham blusa de lã de tricô e gotas de ópio para aliviar a dor, varejeiras que moram em garrafas azuis, caranguejos com patas que desatarraxam e couve-flores que caminham.

As imagens acima foram escritas pelo desenhista, pintor e escritor inglês Edward Lear (1812-1888) em A História de Quatro Criancinhas que Deram a Volta ao Mundo, que integra o livro Conversando com Varejeiras Azuis, lançamento da Editora Iluminuras.

Não por acaso, Lear é apontado como um dos pais da literatura nonsense, que tem como seu principal expoente Lewis Carroll, autor do clássico Alice no País das Maravilhas. O inglês foi um dos mais importantes artistas ornitológicos de sua época. Começou a desenhar e a pintar aves quando tinha 16 anos e passou então a se sustentar com o ofício. Consagrou-se bastante jovem, aos 19, quando publicou o livro Ilustrações da Família dos Psitacídeos, ou Papagaios, pela Zoological Society.

Também lhe renderam fama seus limeriques nonsenses, composições com cinco linhas rimadas, no Brasil bastante utilizadas pela obra escritora Tatiana Belinky (1919-2013). Como se não bastasse, Lear produziu uma série de livros de viagens, que retratam suas passagens pela Itália, Grécia, Egito, Índia e Ceilão, em uma época em que o globo terrestre parecia maior do que é hoje.

Estante de Letrinhas no Facebook: Curta!
E também no Twitter: Siga!

Seus dois livros primeiros livros de viagens – Paisagens de Roma e Seus Arredores (1841) e Excursões Ilustradas na Itália (1846) – encantaram a Rainha Vitória, que o contratou para ensiná-la a desenhar. De saúde frágil, com constantes crises de asma e bronquite, trocou a gelada Inglaterra pela Itália.

edward-lear-reproducao

Crédito: Reprodução

 

Nonsense, desenhos e viagens – um pouco de tudo está em Conversando com Varejeiras Azuis, livro traduzido por Dirce Waltrick do Amarante, responsável também pela tradução de outra obra do autor, Viagem Numa Peneira (Editora Iluminuras), lançado em comemoração ao seu bicentenário. Ela também assina o ensaio sobre Lear As Antenas do Caracol (Editora Iluminuras).

Na história que abre Conversando com Varejeiras Azuis, quatro crianças compram um barco para navegar pelo mundo e retornar pelo outro lado da Terra. Elas passam por vários países, onde se deparam com desafios como atravessar um trecho onde há tantos peixes que precisam comê-los – todos – para que a embarcação possa seguir. Encontram criaturas aquáticas perigosas, outros seres mais amáveis e, por fim, encaram um rinoceronte que depois viria a ser incorporado por Salvador Dalí em sua obra.

Edward-lear-desenho2

O leitor também aprenderá a fazer receitas como a torta de Ambilongo e as costeletas de Cordibolius, descobrirá espécies da botânica nonsense, como a Sapabotia Utilis, e, claro, será apresentado aos limeriques de Lear; tudo em meio aos desenhos de traço simples e forte e às páginas laranja, preta e rosê que compõem o lindo projeto gráfico.

Serviço
Conversando com Varejeiras Azuis
Autor: Edward Lear
Tradução e notas: Dirce Waltrick do Amarante
Editora: Iluminuras
Preço: R$ 45

Tudo o que sabemos sobre:

Editora IluminurasEdward Lear

Tendências: