‘A Guerra’: um livro sobre silêncio, caos e dor
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‘A Guerra’: um livro sobre silêncio, caos e dor

Conheça a obra poética, potente e premiada dos autores portugueses José Jorge Letria e André Letria que chegou ao Brasil pela Editora Amelì

Bia Reis

12 de agosto de 2019 | 07h00

Créditos das imagens: Bia Reis/Estadão

O silêncio e o caos.
A espera e a explosão.
O ódio e o rancor.
O fim dos sonhos e das histórias.
A ambição e o poder.

O que as guerras que nós, seres humanos, já travamos ao longo da história têm em comum? O que elas nos mostraram e nos revelaram? No livro ilustrado A Guerra, os autores portugueses José Jorge Letria e André Letria fazem um retrato dolorido e potente do uso da violência no enfrentamento dos problemas. O livro foi publicado em 2018 em Portugal, pela Editora Pato Lógico, e colecionou prêmios importantes: o White Ravens, da International Youth Library, de Munique (Alemanha), e o Nami Concours (Coreia do Sul), além de ter sido selecionado para a feira de ilustrações de Bolonha (Itália). Foi lançado recentemente no Brasil pela Editora Amelì, uma casa pequena que tem trazido obras estrangeiras belíssimas para os leitores brasileiros, e marca a estreia da Coleção Cigarra, em parceria com Daisy Carias, do canal no YouTube A Cigarra e a Formiga.

A Guerra começa com uma sequência narrativa composta por quatro páginas duplas. Na primeira delas, os autores apresentam ao leitor uma visão aérea de onde a história se desenrola: lá estão árvores sem a copa fincadas na neve; lá estão cobras e aranhas que, sorrateiramente, adentram o terreno. Na dupla seguinte, o leitor é colocado dentro da floresta, na altura do chão, e pode ver as cobras mais de perto e também um pássaro, no alto, a observar. Mais um virar de páginas e, como um zoom, a cabeça do pássaro ocupa a dupla, com as cobras o preenchendo por dentro. Na sequência, um novo distanciamento e agora a ave voa, deixando a floresta para trás.

A linguagem visual quase cinematográfica, com distanciamentos e aproximações, prossegue, mas agora também com palavras. Os autores usam frases curtas e fortes que impactam, mobilizam, fazem doer, em uma articulação de grande força com a imagem. Nas páginas estão as decisões tomadas em silêncio e que não consideram as pessoas; o medo diante do que está por vir; o ódio, a ambição e o rancor; o fim da tranquilidade, dos sonhos e das vozes de quem não quis guerrear; o desejo de poder e de glória de quem comanda.

“A guerra rasga o dia como uma doença sussurrada e veloz. A guerra não ouve, não vê e não sente. A guerra sabe sempre onde a temem e a esperam. A guerra toma a forma brutal de todos os medos. A guerra alimenta-se de ódio, ambição e rancor. A guerra invade o sono brando dos inocentes. A guerra tem todos os rostos da maldade que impõe. A guerra nunca foi capaz de contar histórias.”

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Em A Guerra, o preto e o cinza dominam, mas o marrom, amarelo mostarda e o verde militar também ajudam a falar do medo, do terror e da falta de esperança.

“A guerra gosta de reinar entre ruínas. A guerra é o último esconderijo da morte. A guerra é o estrondo e o caos. A guerra é o silêncio.”

O livro ilustrado A Guerra volta a unir o escritor José Jorge Letria e o ilustrador André Letria, que são pai e filho. A dupla tem uma série de livros publicados, boa parte deles no Brasil, como Se Eu Fosse um Livro, da Globinho – escrevi sobre ele em 2013, se quiser conhecer clique aqui.

Serviço
A Guerra
Autores: José Jorge Letria e André Letria
Editora: Amelì
Preço: R$ 55 (capa dura)

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