5 discussões sobre o livro digital
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5 discussões sobre o livro digital

A Câmara Brasileira do Livro realizou a sexta edição do Congresso Internacional CBL sobre o Livro Digital, com especialistas do Brasil, França, Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. Confira o que foi debatido

Bia Reis

26 Agosto 2016 | 12h47

bienal2016

Os historiadores Robert Darnton (à esq.) e Roger Chartier (à dir.) falaram no painel que abriu o congresso

 

Nesta quinta-feira, 25, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) realizou o 6.º Congresso Internacional do Livro Digital, no Auditório Elis Regina, em São Paulo. Especialistas do Brasil, França, Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha discutiram os caminhos do livro e da leitura digital com uma plateia formada por editores, professores, bibliotecários, estudantes e profissionais do setor.

Abaixo, destaco cinco pontos que achei interessantes e que nos ajudam a refletir sobre o tema:

 

1.

Não é só o livro que passou a ser digitalizado: a vida e as relações também

As discussões sobre livro e leitura digital são apenas parte de um debate mais amplo, sobre a digitalização da vida e das relações. É o que afirma o historiador francês especializado em livro e leitura Roger Chartier, que participou do primeiro painel do congresso, ao lado do historiador norte-americano e diretor da Biblioteca Universitária de Harvard, Robert Darnton. “A revolução digital nos obriga a uma mudança na forma de ler e de escrever, e toda a cultura impressa parece sofrer uma redução: livrarias estão desaparecendo, bibliotecas também precisam investir na cultura digital para sobreviver. Mas isso é só um pedaço de todas as modificações”, afirmou Chartier.

 

2.

A preocupação com o fim do livro não é nova

O historiador norte-americano Robert Darnton apresentou uma visão otimista quanto ao futuro do livro e citou uma frase do filósofo alemão Walter Benjamin, que, em 1928, já temia que o livro como conhecemos tivesse chegado ao fim. Darnton tentou também derrubar algumas declarações comuns nos dias de hoje, utilizando dados dos Estados Unidos:

 

“O livro de papel está morto.”
De acordo com o historiador, em 2015 foram publicados mais livros do que nos anos anteriores e houve redução de 10% na venda de e-books. Ou seja, o impresso continua sendo produzido e comercializado.

 

“Bibliotecas são obsoletas.”
Darnton afirma que as bibliotecas nos Estados Unidos estão cheias, mas hoje têm outras funções. Segundo ele, o bibliotecário atua como uma guia.

 

“Todas as informações que precisamos está na internet.”
Nem tudo foi digitalizado, apesar de dizermos com frequência que tudo pode ser encontrado na rede. Há livros antigos e outros materiais que não estão disponíveis online, apenas nas bibliotecas.

 

“Vivemos uma era sem precedentes: a era da informação.”
Darnton nega a afirmação e diz que toda a sociedade tem essa sensação, de que nunca se produziu tanto como antes.”

 

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3.

Venda do livro digital impulsiona venda do livro físico

Oferecer para o leitor a versão digital até um mês e meio antes do lançamento do livro físico aumenta em 11% as vendas do impresso. O dado foi apresentado por Alex Szapiro, country manager da amazon.com.br, em sua palestra no congresso. De acordo com ele, quem passa a comprar livro digital lê até 3,8 vezes mais e não deixa totalmente de adquirir versões impressas. Por isso, para a Amazon, não há uma disputa entre livro digital e físico.

 

4.

Há vários modelos de assinatura de livros sendo testados no exterior

Diferentemente do que ocorre no Brasil, onde temos um sistema de assinatura de livros digital – a Amazon lançou em 2014 o Kindle Unlimited, no qual o leitor paga um valor por mês e pode ler até dez livros ao mesmo tempo -, no exterior as empresas apostam em modelos diferenciados. O inglês Carlos Gimeno, diretor internacional de vendas da ProQuest Books, contou que o leitor tem a possibilidade de fazer uma assinatura com acesso perpétuo, ou seja, em que pode ver todo o conteúdo disponível; por demanda, em que pode consultar todos os títulos e só paga quando usar; e por tempo determinado, seja um dia ou o período de um curso.

 

5.

O fenômeno da autopublicação

Outro assunto que me chamou a atenção foi a autopublicação de livros. Na Alemanha, o mercado é imenso: um em cada dois e-books publicados e um em cada quatro impressos já são autopublicações. Quem afirma é o alemão Leander Watting, editor especializado em ciência editorial e livrarias. Ele contou que na Alemanha há empresas que oferecem uma série de serviços especializados para os autores que usam as plataformas de autopublicação, como revisão, projeto para capa e até ferramentas de marketing. “Há blogs específicos e até cursos para quem está neste mercado. Na Alemanha também existe a Academia Nacional dos Autopublicadores, o que reflete a importância desse tipo de publicação”, disse Watting.

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