Seguranças de clubes berlinenses em foco

Seguranças de clubes berlinenses em foco

Os leões de chácara (“bouncers”, em inglês) têm um dos trabalhos mais pesados da cena noturna da capital alemã. O documentário “Berlin Bouncer” acompanha três deles, retratando, a partir de suas biografias, as mudanças da cidade desde a reunificação do país.

Estado da Arte

17 de fevereiro de 2019 | 16h00

Berlin Bouncer: Sven Marquardt | © Flare Film GmbH


por Alva Gehrmann

Um deles é Frank Künster, que se mudou para a Alemanha Ocidental no fim dos anos 1980. Ele trabalhou durante muitos anos no King Size Bar e se autointitula “um cuidador excessivo”. O segurança de porta de boate acredita que sua principal tarefa é acompanhar pessoas embriagadas. Seu colega Smiley Baldwin, até a queda do Muro, vigiava como policial militar norte-americano a fronteira para Berlim Oriental. Hoje em dia, ele dirige uma empresa de segurança e trabalha pessoalmente como leão de chácara em casas noturnas. Baldwin compara sua tarefa de selecionar frequentadores na porta dos clubes, deixando-os entrar ou não, com a pintura de um quadro a cada noite. O terceiro é Sven Marquardt: o impiedoso segurança de 57 anos da porta do lendário clube tecno Berghain. Marquardt nasceu na então Berlim Oriental. Na época da queda do Muro, ele era um jovem punk e fotógrafo.

No início dos anos 1990, esses três homens, e mais outros tantos, mergulharam nos excessos da vida noturna da cidade. E encontraram ali, por acaso, trabalho. Naquela época, surgia em Berlim uma nova cultura musical marcada sobretudo pelo tecno. Festas regadas a drogas em saguões vazios de fábricas, bares secretos ou porões em ruínas, dos quais só restava esperar que não desmoronassem, criaram o mito da nova “metrópole da festa”. Künster assume ter uma tendência para a “glorificação retrospectiva” quando fala daquele tempo. E Marquardt também diz se lembrar com prazer daquela época. Segundo ele, a cena dos clubes na cidade era “completamente reunificada (…), porque ajuntava tudo da cidade inteira”. Para os espectadores que viveram na Berlim dos anos 1990, as fotos e sequências de imagens do documentário são uma bela lembrança daqueles tempos fervilhantes.

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A cobertura da Berlinale 2019 é uma parceria entre o Goethe-Institut e o Estado da Arte.

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