Pós-Feminismo: precisamos ser “feministas” para lutar por equidade e autodeterminação?

Pós-Feminismo: precisamos ser “feministas” para lutar por equidade e autodeterminação?

Quais as conquistas do feminismo? E seus limites? Para analisar o futuro da luta emancipatória das mulheres, Isabelle Anchieta de Melo analisa essa e outras questões instigantes para o Estado da Arte.

Estado da Arte

08 de março de 2019 | 11h00

 

por Isabelle Anchieta

Antes de começar este texto, que entra em um campo delicado do debate social, é preciso fazer um esclarecimento para que minha reflexão não provoque sentidos estranhos ao seu propósito. Meu objetivo aqui não é propriamente o de me contrapor ao feminismo − que tem mais méritos do que deméritos. Antes, pretendo realizar, como cientista social, um esforço de esclarecimento conceitual e histórico. Irei desalinhar certos aspectos do conceito “feminismo”, tentando não desfazer todo o bordado.

Meu ponto de vista é o seguinte: o feminismo tornou-se uma espécie de conceito guarda-chuva, mas é preciso questionar o seu limite de nomeação. Podemos chamar todos os movimentos, ações e produções feitas por mulheres de feministas? Toda mulher que conquista um posto de destaque é feminista? Ou precisamos criar um novo nome para novas e diversas concepções das mulheres contemporâneas em prol da equidade e de sua autodeterminação?  Seria o “pós-feminismo”?

Mais do que a indicação de um lugar com alinhamentos sócio-históricos já definidos, o prefixo “pós”, no caso das mulheres, indica após,  mas também o que não é ainda, o que não foi concretizado. É a esfera da mulher por vir. Se queremos entrever o presente e o futuro e responder a questões que eles ensejam, é sempre necessário recorrer ao passado, à História e seus processos sociais. E já posso antecipar sem receio: a busca por autonomia, respeito e liberdade social da mulher não nasceu com o feminismo.  

Esse emerge no final do séc. XVIII e no XIX, no contexto da Revolução Industrial e da Revolução Francesa. Mesmo o termo “feminismo” surge nesse momento, sendo usado de forma adjetiva/pejorativa em um panfleto, publicado em 1872, pelo jornalista Alexandre Dumas Filho com o objetivo de atacar os homens que apoiavam a causa cidadã das sufragistas[1]. Quero destacar com isso que o Feminismo é um movimento social datado histórica, social e culturalmente, com claros alinhamentos ideológicos, especialmente gestado pela teoria ‘científica’[2] e mesmo econômica elaborada por Karl Marx, conhecida como marxismo e, em seguida, por suas releituras gramscianas, frankfurtianas e culturalistas/identitárias.

Originalmente Karl Marx, em O Capital, de 1867, é solidário às mulheres e crítico da posição subalterna delas na sociedade capitalista. Segundo ele, as mulheres são associadas a mercadorias, variando entre um “animal de luxo ou uma besta de carga”. Em seguida, defende que “não sendo a sua inferioridade legal outra coisa senão o reflexo da servidão econômica particular de que é vítima, a sua igualdade civil e política não se poderá conseguir eficazmente se não se alcança a emancipação econômica, pela qual, tanto para ela como para o homem, se acha subordinada ao desaparecimento de todas as servidões”[3].

Uma teoria com propósitos emancipatórios que, na prática social, revelou resultados incompatíveis com os ideais democráticos, sobretudo ao adotar a violência[4] como meio de impor a igualdade econômica e social[5]. Ainda que o movimento feminista tenha se desvinculado pouco a pouco do marxismo, buscando formas mais autorais em sua chamada segunda onda (que vai dos anos 1950 até os 1990)[6]  e menos radicais de atuação, especialmente na terceira onda (a partir dos anos 1990)[7] há, no entanto, heranças persistentes e traços autoritários que, infelizmente, ecoam no interior do movimento feminista.  

Um dos seus sinais é a ideia de que toda mulher “deva” ser feminista − mesmo sem saber ao certo o que exatamente isso implica[8]. As que não se convertem são consideradas alienadas de uma verdade maior e, portanto, devem despertar para uma fatalidade de suas vidas por elas mesmas desconhecida. Parte-se da suposição de que as feministas conhecem o bem e têm a obrigação de salvar as demais do erro e da alienação na qual se encontram[9].    

Nas entrelinhas dessa imposição moral, persiste a ideia de que as não convertidas estão se afastando da defesa da equidade e da autodeterminação das mulheres, como se essa fosse a única via possível. Há outros caminhos, já percorridos no passado, que podem ser reconstruídos no presente, inclusive com o apoio dos homens. Não há como propor uma mudança de mentalidade e de comportamento de um fato social fundado em uma interação que envolva duas partes, excluindo uma delas[10]. É absolutamente incoerente. Não se pode reconstruir uma relação que é necessariamente interativa por meio de métodos separatistas, por exemplo, o método do lugar de fala[11].

Dizendo de outro modo: a luta por igualdade entre homens e mulheres não é exclusividade das mulheres ou do movimento Feminista. Seria anacrônico e, no limite, autoritário, nomear todas as manifestações das mulheres em prol da sua liberdade e das demais que ocorreram na história da humanidade como sendo parte do movimento feminista/marxista. Não são.

 

Desde que há uma mulher em sociedade, há a vontade de autodeterminação

Observei ao longo de meus estudos sobre a História das Imagens da Mulher no Ocidente Moderno[12] que, mesmo em desvantagem na maior parte dos arranjos de forças sociais, elas souberam, muitas vezes, inverter os jogos de poder a seu favor. Não só foram alvo de um dos Holocaustos não quantificados mais graves da História, ao serem taxadas de bruxas, durante a Idade Média, como também elas simularam possessões e, por meio de exorcismos espetaculares, mandaram muitos padres e desafetos para a fogueira.  

No Novo Mundo, as índias tupinambás foram vítimas, mas também desfrutaram sexualmente de seus prisioneiros e os comeram (literalmente) ao fim. Foram colonizadas por um olhar demonológico, mas também importaram temores reais para a Europa. Canibais, nuas, mesclavam como nenhuma outra mulher o erotismo e o exotismo. A atração e o medo. Por isso, custa-me compreender a ideia de ‘misoginia’[13], quando se percebe que os sentimentos por elas provocados não tocavam em uma nota só dos sentimentos sociais.  

Ambiguidade tão bem traduzida nas poéticas palavras de Simone de Beauvoir, quando diz que “A mulher não encarna nenhum conceito imoto, através dela realiza-se sem cessar a passagem da esperança ao malogro, do ódio ao amor, do bem ao mal, do mal ao bem. Sob qualquer aspecto que se considere é essa ambivalência que impressiona primeiramente”[14].

E, se há algum mérito particular em minha pesquisa foi exatamente o de não adaptar a história da mulher a uma visão estabelecida de antemão; de tentar apresentar as contradições sociais, ao invés de construir uma narrativa que identificasse posições invariáveis. Mais do que uma teleologia maniqueísta, o que fiz foi tentar rebordar esse complexo tecido social do qual a mulher é elemento fascinante − exatamente por ser uma “marginal atrativa”[15]. Uma personagem ambivalente, que despertou distintos sentimentos sociais.  

É nessa direção que afirmo que as mulheres não foram vítimas passivas e silenciosas. Em alguns casos, elas até usaram a imagem de “sexo frágil” a seu favor. A ideia de cavalheirismo, por exemplo, foi arquitetada astutamente por Leonor de Aquitânia[16], uma rainha medieval, do séc. XII, na França, que criou uma série de códigos de conduta e boas maneiras na corte educando os homens para bem tratar as mulheres, dando a elas prioridade e vantagens em uma série de situações sociais. Aquitânia promove, assim, uma pronunciada mudança de mentalidade em uma época em que os homens podiam bater em sua mulher “cortá-la, rachá-la de alto a baixo e aquecer os pés no seu sangue; desde que, voltando a cosê-la, ela sobreviva” (segundo texto de direito da época).

As mulheres não foram vítimas passivas e silenciosas. Em alguns casos, elas até usaram a imagem de “sexo frágil” a seu favor

Mesmo a última das categorias em uma hierarquia social − em um mundo até então orquestrado pela régua moral da Virgem−, as prostitutas, souberam como nenhum outro grupo de mulheres fazer uso de sua marginalidade atrativa para um retorno triunfante no seio mesmo da sociedade pré-moderna e moderna. As cortesãs italianas são exemplo emblemático dessa virada, sendo Verônica Franco uma das suas mais interessantes representantes. Mulher que passa de prostituta comum à dama da corte, é aceita como poeta na mais prestigiosa academia de Letras de Veneza, além de ter seu retrato pintado pelos mais célebres artistas de sua época como Tintoretto e Veronese. O que não era um feito menor − já que os retratos eram, até então, restritos a nobres, reis, papas e santos. Verônica é uma mulher culta, uma prostituta de luxo, que adquire poder, riqueza e influência política, negociando para a Itália, junto ao rei da França, terras que estavam sob o domínio francês.

Não sem razão, a pintura da Olympia[17], de Edouard Manet, será a esfinge visual desse novo sistema de relações. Pinta a modernidade dentro da modernidade. A prostituta que ascende socialmente sem sinais de arrependimento e culpa, completamente indiferente a um sistema de moralidades religiosas que entram em decadência com a consolidação do Capitalismo.

Por fim, analiso aquelas que levarão ao limite a inversão do lugar feminino: as Stars. Dirigem, fumam, desobedecem aos pais, abordam o parceiro sexual, casam-se, separam-se e casam-se quantas vezes lhes aprouver A transgressividade será o elemento distintivo de sua personalidade dentro e fora das telas.  Para elas, nada é sagrado a não ser seu desejo individual, inaugurando, mais do que refletindo, diversos esquemas de conduta entre os jovens do século XX.

Nessa longa história social das mulheres, aqui drasticamente sintetizada, observei sobretudo como duas linhas se encontravam ao fim desse bordado social. A crescente humanização da mulher (antes bruxas ou santas), por meio de sua encarnação através da prostituta. Em seguida, com as Star, observei a emergência de um projeto biográfico, de sua individualização, como centro da formação dessa imagem. O encontro desses dois processos sociais nomeei: individumanização.  

Passamos, assim, a operar em dois níveis, simultaneamente: o particular e o universal. Indivíduo e humanidade. As categorias intermediárias de classificação como negro, mulher, judeu, etc. entram em crise. Mesmo a ideia de grupos que se unem em torno delas, é questionada. Há uma resistência social ao feminismo, aos movimentos negros, religiosos e étnicos, sobretudo porque sublinham seus lugares de fala, ao valorizarem mais os seus iguais e fechando-se a uma empatia ampliada.

Agora, sim, permito-me uma crítica mais incisiva ao Movimento Feminista. No meu entendimento, erram por “reforçar o tipo de pensamento que queriam combater”. Em outras palavras, as feministas fizeram um grande (e genuíno) esforço teórico para desconstruir o “eterno feminino”[18], mas o movimento feminista, na contramão, reafirma a ideia de ´mulher´. Uma contradição insolúvel no sentido mesmo defendido pela filósofa contemporânea Judith Butler quando afirma que “se alguém ‘é’ uma mulher isso certamente não é tudo o que esse alguém é”. Butler também questiona o papel do feminismo que constrói e reafirma uma categoria reificante da mulher, “mesmo quando a construção é elaborada com propósitos emancipatórios”[19],  de cujo contexto o feminismo não conseguiu se desvencilhar da reiteração da ideia de mulher. Um paradoxo, pois, se toda a luta feminista foi fundamentalmente a de desnaturalizar as diferenças entre os sexos, desvelando a sua matriz cultural, não faz sentido, por outro lado, reforçar essa identidade por outro.  

Eis que faz sentido a provocação de Butler quando indaga: “Será que as práticas excludentes que baseiam a teoria feminista numa noção de ´mulheres´ como sujeito solapam, paradoxalmente os objetivos feministas de ampliar suas reivindicações de ´representação´?”[20].

No meu entendimento, a passagem do feminismo ao individumanismo, deveria ser o objetivo último do feminismo. Ou, em outras palavras: a passagem da imanência à transcendência da mulher. Conclusão essa de Simone de Beauvoir, em o Segundo Sexo, publicado em 1949 − obra que é imprecisamente classificada como Feminista[21]. Diz Beauvoir: “quando finalmente for possível a todo ser humano colocar seu orgulho além da diferenciação sexual, na glória difícil de sua livre existência, poderá a mulher − e somente então− confundir seus problemas, suas dúvidas e suas esperanças com os da humanidade”. Para a autora, “enquanto ainda tiver de lutar para se tornar um ser humano, não lhe é possível ser uma criadora”[22].

É preciso ultrapassar as barreiras de gênero. Nesse sentido, o “pós-feminismo”[23] e o ‘pós-gênero’ (ou a crise dos estudos de gênero) é igualmente produtiva ao debate em questão, ao comprovar que, para deslegitimar classificações e estereótipos sociais, é preciso ampliar o frame e não retornar dissimuladamente ao mesmo lugar pelo avesso. 

Mais do que municiar uma guerra sem fim e sem vencedores, o importante é compor um novo lugar de identificação fora desse sistema binário em prol de um frame ampliado, que une e pacifica, sem homogeneizar. A humanidade composta de indivíduos: o individumano[24].

Isabelle Anchieta é doutora em Sociologia pela USP, mestre em Comunicação pela UFMG, premiada como Jovem Socióloga pela ISA/UNESCO.


Notas

[1] Para saber mais recomendo: Geneviève Fraisse, “Musa da razão: a democracia excludente e a diferença dos sexos” (1989).
[2] Segundo abordagem de Karl Popper quando um “sistema de crenças começa a perseguir aqueles que não o aceitam, sabemos − ou devíamos saber − que ele não passa de uma pseudociência”. Segundo análise do filósofo contemporâneo inglês Roger Scruton, “isso com certeza fica totalmente óbvio nos casos do freudismo e do marxismo, duas supostas ciências que viraram o mundo de cabeça para baixo ao reivindicar as almas de seus seguidores e não sua opinião refletida” Scruton, O Rosto de Deus, 2015, p. 37.
[3] Karl Marx, O Capital, 2010, p. 29.
[4] Diz Marx: “A justiça e a fraternidade não têm intervindo em nada nesse desaparecimento (o da servidão)” p. 20. Mais adiante afirma categoricamente: “A classe operária deve apoderar-se do governo pela força, que em suas mãos será o instrumento com que se levará a cabo a expropriação econômica da burguesia e a apropriação coletiva dos meios de produção”, p. 41, 2010.
[5] Para aprofundamento recomendo a leitura de Robert Service, Camaradas: uma história do comunismo mundial, Ed: Difel, 2015.
[6] “A segunda onda tem seu início em meados dos anos 1950 e se estende até meados dos anos 1990 do século XX; mas, geralmente, quando nos referimos ao feminismo de segunda onda, costumamos querer dizer mais especificamente do feminismo radical, que teve seu início (e sua fase mais ativa) nas décadas de 1960 e de 1970. Costumamos caracterizar a segunda onda como a fase da luta pelos direitos reprodutivos e das discussões acerca da sexualidade”. In: O que são as ondas do feminismo? Entenda um pouco da história do feminismo, e como chegamos até aqui. Disponível em: https://medium.com/qg-feminista/o-que-s%C3%A3o-as-ondas-do-feminismo-eeed092dae3a
[7] A terceira onda se dá a partir dos anos 1990, com o “surgimento da ideia de transversalismo enquanto oposição ao universalismo e ao particularismo, característicos, respectivamente, da segunda e da primeira ondas feministas. Quando falamos em “políticas transversais”, falamos da possibilidade de diálogo entre todas as possíveis condições enfrentadas por mulheres no mundo, levando em consideração não só raça/etnia, classe e sexualidade, mas também nacionalidade, idade e religião, por exemplo”. In: O que são as ondas do feminismo? Entenda um pouco da história do feminismo, e como chegamos até aqui. Disponível em: https://medium.com/qg-feminista/o-que-s%C3%A3o-as-ondas-do-feminismo-eeed092dae3a 
[8] Exemplo disso é o livro imperativo: Sejamos todos feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie, 2015. Na obra, ela narra sua experiência pessoal e define o feminismo por meio de uma descrição que diz ter lido em um dicionário. “Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos”, p.49.  Não há, em contrapartida, qualquer aprofundamento das origens e das vinculações ideológicas (e mesmo políticas e partidárias) do Feminismo, como se fosse esse um conceito trans-histórico.
[9] Como bem nos aconselha o filósofo brasileiro Eduardo Wolf, (no único conselho filosófico que se atreve a dar sem pudor): “Desconfie de todos aqueles que, em nome de sua convicção e da boa vontade, querem fazer o bem da humanidade. Invariavelmente, quando líderes políticos e sociais disseram que conheciam o bem e poderiam fazer o bem da humanidade, invariavelmente. Ou seja, sem exceção, a consequência foram ditaduras, assassinatos políticos, campos de extermínio, guerras, campos de concentração. Nunca houve exemplo em contrário”. Eduardo Wolf, entrevista concedida a Celso Loducca, no programa “Quem somos nós?”. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=22W9zQH3MYg 
[10]“Separar o feminino do masculino seria tentar criar uma identidade ou uma essência para cada gênero. Mas essas identidades não existem por si só. Trata-se de um jogo social que só pode ser acionado quando os dois componentes são colocados em relação e tensão”. Herbert Rodrigues e Isabelle Anchieta: “A tensa manutenção da relação entre os sexos”. Disponível em: https://www.academia.edu/23380968/A_tensa_manuten%C3%A7%C3%A3o_da_rela%C3%A7%C3%A3o_entre_os_sexos_um_di%C3%A1logo_com_Pierre_Bourdieu_e_Erving_Goffman
[11]Sobre o tema escrevi um ensaio para o Estado da Arte intitulado: Lugar de fala: o novo apartheid social?. Disponível em: https://cultura.estadao.com.br/blogs/estado-da-arte/lugar-de-fala-o-novo-apartheid-enunciativo/
[12] Publicarei este ano pela EDUSP a coleção de livros: Imagens da Mulher no Ocidente Moderno, resultado de minha tese de doutorado.
[13] Significa: ódio ou aversão às mulheres.
[14] Simone de Beauvoir, O Segundo Sexo, 1. Fatos e Mitos, Editora Nova Fronteira, 1980, p. 183
[15] 
Sobre essa contradição inerente à mulher, escrevi um artigo para a Revista Plural da USP, intitulado: Mulher: Classe desprivilegiada em alta conta.  Disponível em: http://www.revistas.usp.br/plural/article/view/74503
[16] Sobre o tema, escrevi o artigo para o Estadão, intitulado: Quando as mulheres falam, eles escutam? Disponível em: https://brasil.estadao.com.br/blogs/tudo-em-debate/quando-as-mulheres-falam-eles-escutam/
[17] O quadro de Edouard Manet, de 1863, encontra-se no Museu D´Orsay, em Paris. Disponível em: https://www.musee-orsay.fr/en/collections/works-in-focus/painting/commentaire_id/olympia-7087.html?tx_kleemobileredirection=1&cHash=fdb3c161a8
[18] “Tal como  amplamente demonstram  antropólogas, sociólogas, filósofas e historiadoras, a ideia de uma natureza feminina nada mais é do que o resultado de uma construção simbólica de posições assimétricas entre  homens e mulheres, um artifício com efeitos muito reais no trabalho, na economia, nas políticas públicas, na educação e na família” , trecho de artigo que escrevi para a Revista Plural da USP, intitulado: Mulher: Classe desprivilegiada em alta conta.  Disponível em: http://www.revistas.usp.br/plural/article/view/74503
[19] Judith Butler, Problemas de Gênero, 2014, p. 22.
[20] Judith Butler, Problemas de Gênero, 2014, p. 22-23.
[21] Segundo a filha adotiva e herdeira de sua obra, Sylvie le Bon de Beauvoir, a filósofa não era simpática ao movimento feminista quando escreveu o Segundo Sexo. Em uma recente biografia sobre a mãe, Sylvie afirma que: Simone não se considerava uma feminista. Quando escreveu o livro, ela considerava as feministas grupos pequenos e muitos fechados em suas reivindicações políticas, algo que realmente não tinha importância”. (…) “Na sua vida pessoal, na juventude vivida nos anos 1930 e 1940, por uma sorte histórica, ela não sofreu por parte dos homens nenhuma tentativa de colocá-la em segundo plano. É depois da Guerra, em 1946, que ela toma consciência que ser uma mulher é uma dimensão essencial na vida. Ainda segundo Sylvie, sua mãe teria sido convencida pelas militantes do momento pós-maio de 1968. Diz: “Estas jovens mulheres vieram lhe dizer que com ‘O Segundo Sexo’ ela teria dado esperanças de libertação para as mulheres quando ocorresse a passagem ao socialismo. Mas, na opinião delas, não se deveria esperar por essa passagem, elas deveriam se encarregar dessa libertação naquele momento mesmo. Simone foi convencida”. Disponível em: http://www.parisladob.com/2018/06/04/ela-foi-convencida-pelas-feministas-diz-filha-de-simone-de-beauvoir/
[22] Simone de Beauvoir, O Segundo Sexo, 1. Fatos e Mitos, Editora Nova Fronteira, 1980, p. 915-916.
[23]“Talvez exista, na presente conjuntura político-cultural, período que alguns chamariam de ´pós-feminista´, uma oportunidade de refletir, a partir de uma perspectiva feminista, sobre a exigência de se construir um sujeito do feminismo. Parece necessário repensar radicalmente as construções ontológicas de identidade na prática política feminista, de modo a formular uma política representacional capaz de renovar o feminismo em outros termos (…) Será que as práticas excludentes que baseiam a teoria feminista numa noção de ´mulheres´ como sujeito solapam, paradoxalmente os objetivos feministas de ampliar suas reivindicações de ´representação´?” Judith Butler, 2014, p. 23.
[24] Neologismo que desenvolvi em minha tese de doutorado, que será publicada este ano pela EDUSP, com o título Imagens da Mulher no Ocidente Moderno.

 

 

 

 

[24]Neologismo que desenvolvi em minha tese de doutorado, que será publicada este ano pela EDUSP, com o título Imagens da Mulher no Ocidente Moderno.