Podcast – Psicofármacos

Podcast – Psicofármacos

Entrevista com André Negrão (HC-USP), Christian Kieling (UFRGS) e Valentim Gentil Filho (USP).

Estado da Arte

17 Janeiro 2018 | 08h12

Em mais uma produção em parceria com o Café Filosófico – CPFL, o Estado da Arte discute os Psicofármacos com André Negrão: colaborador do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Hospital das Clínicas de São Paulo com pesquisa sobre marcadores genéticos e influência ambiental no consumo de substâncias psicoativas; Christian Kieling: professor do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenador do Grupo de Pesquisa em Depressão na Adolescência do Hospital das Clínicas de Porto Alegre; e Valentim Gentil Filho: professor titular de psiquiatria da Universidade de São Paulo e membro permanente do Conselho Diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.

No ano de 2017 o Café Filosófico se dedicou a explorar o tema da “Responsabilidade” em suas diversas facetas. O módulo de Maio foi inteiro dedicado ao tema “Pílulas e Palavras”, com curadoria do psiquiatra e psicanalista Alfredo Simonetti, desdobrando-se em quatro encontros: “A invenção do remédio” e “Os sócios de Deus” com o próprio Simonetti; “Para que serve a psicanálise hoje” com o psicanalista Wilson Klain; e “Corpo en-cena” com o psicólogo Claudio Mello Wagner. Na apresentação do Ciclo, Simonetti elencava os desafios capitais no campo da saúde mental contemporânea: 

O que podem a psiquiatria, a psicanálise e as psicoterapias, com suas pílulas e palavras, fazer por quem vive se debatendo com os sintomas da modernidade? E o quanto responsabilizam-se por suas tecnologias químicas e verbais, e por seus efeitos psíquicos e sociais, os psiquiatras, os psicanalistas e os psicoterapeutas atuais? E aqueles que se colocam na posição de paciente, delegam aos clínicos a responsabilidade pela “cura” de seus sintomas ou assumem a responsabilidade por sua infelicidade cotidiana? E será que existe mesmo um “sofrimento novo” ou trata-se apenas da velha e conhecida angústia humana repaginada pelas palavras criativas dos nossos intelectuais?  

Estas questões não são novas para o público do Café Filosófico. Só no ano de 2014 foram três ciclos inteiros dedicadas à saúde mental: Do hedonismo à adicçãoMedicalização fora de controleO sofrimento humano nos tempos atuaisEncarando a dorNo ano de 2015, o Instituto CPFL organizou o Ciclo “Mal-estar, sofrimento e sintoma”  capitaneado pelo psicanalista e professor da USP Christian Dunker, com o propósito de investigar “quais são os limites do sofrimento que devemos suportar e aceitar e quando é preciso agir para mudar o mundo ou para transformamos a nós mesmos.” Ou, dito de outro modo,

observar como nossos sintomas, codificados, como a depressão, a ansiedade, a anorexia ou as adições tornaram-se formas de nos desresponsabilizar pelo desconforto e angústia que o mal-estar necessariamente traz consigo. Certos sintomas são mais adaptativos do que outros, assim como certas modalidades de sofrimento são mais visíveis ou mais intoleráveis que outras. Há, portanto, uma política envolvida aqui, sobre como definimos os limites do suportável. 

Em todo este panorama, a psicofarmacologia, por óbvio, tem um papel fundamental. Como dizia Aldous Huxley  já nos anos 50 em seu ensaio “Regresso ao Admirável Mundo Novo”

Hoje há tranquilizantes baratos, alucinógenos baratos e estimulantes baratos. . . . O álcool e o tabaco estão disponíveis, e as pessoas gastam consideravelmente mais com estes eufóricos, pseudo-estimulantes e sedativos insatisfatórios do que estão dispostas a gastar com a educação dos seus filhos. . . . Enquanto isso a farmacologia, a bioquímica e a neurologia estão em marcha. . . . Como tudo mais, suas descobertas podem ser bem ou mal utilizadas. Elas podem ajudar o psiquiatra em sua batalha contra as doenças mentais, ou podem ajudar o ditador em sua batalha contra a liberdade. Com maior probabilidade (uma vez que a ciência é divinamente imparcial) elas irão tanto escravizar quanto libertar, curar e ao mesmo tempo destruir”.  

Como pode se dar esse processo de libertação e destruição pela psicofarmacopeia? Qual a real eficácia dos psicofármacos? Quais as suas origens e quais as perspectivas para o futuro?

Confira:

Veja também no acervo do Café Filosófico – CPFL.