Ocupação como resistência

Ocupação como resistência

Os documentários Chão e Espero a tua (re)volta se debruçam sobre as ocupações de trabalhadores sem-terra e de estudantes secundaristas.

Estado da Arte

13 Fevereiro 2019 | 09h00

Espero tua (re)volta. Brasil, 2019. Direção: Eliza Capai. Berlinale Generation. © Bruno MirandaEspero tua (re)volta. Brasil, 2019. Direção: Eliza Capai. Berlinale Generation. | © Bruno Miranda

por Camila Gonzatto

Em tempos sombrios sob um governo de extrema direita no Brasil, Berlinale traz os documentários Chão e Espero a tua (re)volta, que se debruçam, respectivamente, sobre as ocupações de trabalhadores sem-terra e de estudantes secundaristas.

Longa de estreia de Camila Freitas, Chão acompanha o dia a dia da Ocupação de Trabalhadores Sem-terra Leonir Orbak numa usina de cana-de-açúcar, em Santa Helena, estado de Goiás. Com uma dívida de mais de 1 bilhão de reais com a União, a usina está em processo de falência. Após se estabelecerem no local, os agricultores, que lutam pela reforma agrária, transformam o uso da terra com a produção de alimentos orgânicos. Além da vida cotidiana, o filme revela a organização interna dentro do acampamento e o processo de tomada de decisões, além de mostrar a batalha jurídica em curso.

Um dos grandes méritos do filme é a intimidade que os personagens têm com a câmera. Trata-se de uma câmera que olha a ocupação a partir de seu interior, inserida em diversas ações, e não de um olhar de fora e artificial. “Foi um filme de processo. Demorei dois anos para entender o que estava acontecendo. Eu estava muito presente e comecei a ser incluída nas atividades”, diz Freitas. Com essa relação de confiança, a diretora constrói um retrato não estereotipado dos trabalhadores sem-terra, diferente daquele normalmente apresentado na mídia.

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A cobertura da Berlinale 2019 é uma parceria entre o Goethe-Institut e o Estado da Arte.

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